- Maya Prado, 24 anos, deixou o emprego de camareira para trabalhar com criação de conteúdo adulto após o fim de um relacionamento, buscando estabilidade financeira para o filho.
- Dados de uma pesquisa indicam que cerca de 40% das acompanhantes cadastradas em uma plataforma são mães, com o trabalho sexual retratado como forma de sustento familiar.
- Nina Sag, 41 anos, passou a atuar como acompanhante após a separação de 2017, dizendo que a atividade ajudou a pagar necessidades da filha e a manter a rotina familiar.
- O medo principal é a avaliação moral e a possibilidade de perder a guarda dos filhos, mesmo com laudos que atestam que a filha não corre risco; já houve casos em que a maternidade foi questionada judicialmente.
- Especialistas defendem regulamentação do trabalho sexual para proteção jurídica e ressaltam a importância de reduzir o estigma e manter redes de apoio para conciliar maternidade e profissão.
Mães que trabalham no mercado do sexo relatam manter a casa em meio a dificuldades financeiras. O relato principal é de que a renda obtida com criação de conteúdo adulto viabiliza itens básicos e educação dos filhos, quando outras opções falham.
Maya Prado, 24 anos, saiu de um emprego de camareira após o fim de um relacionamento sem sustento. Ela afirma que o objetivo não era luxo, mas estabilidade para o filho. O bem-estar dele passou a ser prioridade.
Nina Sag, 41 anos, também recorreu ao trabalho sexual após uma crise financeira em 2017. Ela relata que o faturamento, com atendimentos, permitiu pagar a escola, saúde e atividades da filha. O cuidado com a privacidade foi essencial.
A expansão de plataformas de conteúdo adulto e o conceito de sexo transacional aparecem como fatores de renda. Especialistas destacam que muitas mulheres recorrem a esse ambiente para sustentar a família em cenários de dificuldade econômica.
Desafios da dupla jornada
Para as mães, a conciliação entre vida profissional e maternidade envolve segredo por preconceito. Maya organiza horários de atendimentos sem atrapalhar a rotina do filho, mantendo presença em momentos livres.
Nina destaca a flexibilidade como ganho, encerrando o trabalho no horário escolar para ficar com a filha. Medidas de proteção evitam que a criança tenha contato com a atividade profissional.
A pesquisadora Natânia Lopes aponta que o segredo faz parte da vivência de muitas profissionais, diante de estigma social. Redes de apoio entre familiares ajudam no manejo.
Medo de perder a guarda e trajetórias legais
O receio de perder a guarda é comum entre essas mães. Em casos de disputa, decisões judiciais costumam ser influenciadas por julgamentos morais sobre a profissão.
A advogada Mayra Cotta afirma que a profissão não deve influenciar a guarda, desde que a criança esteja segura. Ela reforça que ações desse tipo devem considerar apenas riscos reais ao cuidado.
Maya e Nina defendem a regulamentação do trabalho sexual para proteção jurídica das trabalhadoras e de suas famílias, evitando decisões baseadas em preconceito moral.
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