- Em São Paulo, cinquenta e sete mães sociais atuam em casas-lares, acompanhando crianças afastadas da família por violência, abandono, dependência química, prisão ou feminicídio.
- No Brasil, as Aldeias Infantis SOS fecharam dois mil e vinte e cinco com quarenta e nove casas-lares e quatrocentas e oito crianças e adolescentes acolhidos; quarenta e dois mulheres atuam diretamente, sendo quarenta e seis mães sociais e noventa e seis mães substitutas.
- As mães sociais vivem nas casas com rotina de casa: acordam cedo, preparam café, acompanham a escola, passam noites em hospitais e ajudam a reconstruir rotina e afeto.
- Destaques: Valda, sessenta e nove anos, atua em Poá e mantém vínculos com ex-acolhidos que voltam para visitas; Divina, sessenta e três, cuida de Rafaela há anos e hoje Rafaela vive com ela, estudando serviço social.
- O trabalho é organizado por equipe multidisciplinar em Poá e outras cidades, com o objetivo de reconstruir vínculos familiares e, quando possível, reintegrar a criança à família de origem, mantendo contatos após o fim dos processos.
As mães sociais atuam como cuidadoras temporárias de crianças afastadas da família devido a violência, abandono ou feminicídio. Elas entram na rotina logo após a ruptura, acordam cedo, preparam café, acompanham a escola e ajudam a manter a casa organizada.
Em São Paulo, 57 mulheres exercem a função de mães sociais em casas-lares. Com o tempo, algumas chegaram a ocupar vínculos afetivos que vão além do acolhimento dentro das instalações.
As casas são espaços comuns, com quartos, mesa de jantar, quintal e varal. Há horários, tarefas domésticas e rotinas compartilhadas que moldam o cotidiano das crianças e adolescentes.
Mães sociais em números
No Brasil, a rede Aldeias Infantis SOS encerrou 2025 com 49 casas-lares e 408 acolhidos. Ao todo, 142 profissionais atuam diretamente, incluindo 46 mães sociais e 96 mães substitutas, que cobrem folgas.
Em São Paulo, a organização atua ainda em Campinas, Limeira, Lorena e Poá, onde a atuação é integrada a uma rede de apoio local e à supervisão de equipes multiprofissionais.
Decivalda Teodora Santos, a Valda, 69 anos, acolhe meninos em Poá desde os primórdios de sua atuação. Ela chegou ao acolhimento após conhecer o trabalho, já que nunca teve filhos biológicos.
Ela descreve a rotina: acorda antes das 6h, prepara o café, organiza uniformes, acompanha consultas e divide os dias com crianças e adolescentes. Hoje, Valda convive com ex-acolhidos que se tornaram adultos.
Na primeira casa, Valda recebeu quatro irmãos de uma vez e precisou sair para comprar comida e preparar camas ainda naquela noite. A experiência a transformou; hoje, alguns adultos a visitam e mantêm o laço com a família.
Outra história de destaque é a de Divina Costa, 63, que atua desde 1994 em Poá. Ao longo de décadas, cuidou de mais de 100 jovens. Um vínculo marcante ocorreu com Rafaela, que chegou bebê, foi criada ali e hoje está na universidade.
Rafaela mantém contato com Divina, que a acolheu na infância, e as visitas para fim de semana continuam. Hoje Rafaela mora com Divina, trabalha e encerra a faculdade de serviço social, mantendo o vínculo que nasceu no acolhimento.
Organização e objetivos
A coordenação dos serviços em Poá explica que as mães sociais trabalham em turnos de quatro dias seguidos, com duas folgas, cobertas por mães substitutas. Cada casa pode acolher até dez crianças e adolescentes.
Além das cuidadoras, a equipe conta com psicólogos, assistentes sociais, técnicos e educadores. O objetivo central é reconstruir vínculos familiares e favorecer a reintegração, quando possível, à família de origem.
Mesmo após a conclusão do processo legal, os laços persistem. No Dia das Mães, muitos ex-acolhidos retornam para visitas, almoços ou para apresentar os filhos, reforçando a ideia de que as casas-lares se tornam uma extensão da família.
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