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Estudo mostra evolução do garimpo ilegal e novas táticas de exploração

Garimpo ilegal migra para equipamentos menores nas terras Munduruku, driblando fiscalização e mantendo alto faturamento, aponta estudo

03/09/2023 - PF inutiliza 302 balsas de garimpo ilegal em operação no Amazonas. Foto: Polícia Federal/Divulgação
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  • Estudo da Universidade do Estado do Pará, em parceria com o Instituto Mãe Crioula, mostra que o garimpo nos Munduruku, no Pará, passou a usar equipamentos menores para driblar a fiscalização após desintrusão durante o governo Lula.
  • O relatório O Circuito Espacial do Garimpo Ilegal no Pós-Desintrusão aponta que o sistema financeiro que sustenta o garimpo também envolve facções criminosas, e que há integração entre garimpo artesanal e mineração de larga escala.
  • A mão de obra é predominante de maranhenses, com migração intrarregional desde a década de noventa; em Jacareacanga, os Munduruku representam 59,1% da população (IBGE, 2022).
  • Dados mostram crescimento econômico local: número de caminhões quase triplicou entre 2014 e 2023 (de 25 para 69), e o PIB municipal quase triplicou; empregos formais também cresceram.
  • Ações de desintrusão federais incluem a operação Munduruku Log, que bloqueou R$ 24 milhões em fevereiro de 2025, e a Flygold II, que em dezembro de 2024 movimentou R$ 6 bilhões com o ouro ilegal.

O estudo da Universidade do Estado do Pará (UEPA), divulgado hoje, analisa a evolução do garimpo ilegal e as novas táticas de exploração, com foco nas terras indígenas Munduruku, no Pará. O relatório aponta substituição de maquinários pesados por equipamentos menores, em resposta a ações de retirada de invasores. A conclusão sugere que a desaceleração técnica não representa decadência, e sim uma estratégia para driblar a fiscalização e manter o faturamento.

A pesquisa detalha como o garimpo migra para áreas indígenas e como o sistema financeiro que sustenta atividades criminosas sustenta a mineração, envolvendo fundos de investimento e lavagem de dinheiro. No estudo, a ligação entre garimpo artesanal e mineração de larga escala fica menos distinta, com operações da Polícia Federal já expondo tais esquemas.

Mão de obra e impactos locais

O relatório investiga a origem dos trabalhadores, em sua maioria maranhenses, reforçando a migração intrarregional desde a década de 1990. Municípios como Jacareacanga e Itaituba recebem a presença Munduruku, que denuncia violações de direitos associadas à exploração da terra por não indígenas.

Segundo Fabiano Bringe, pesquisador, a rede econômica que mantém os garimpos ultrapassa fronteiras locais, envolvendo postos de combustíveis, aeronaves e serviços. Pequenos comércios locais sustentam a atividade, em um arranjo descrito como minero-dependência pelos autores.

Dados socioeconômicos e ações de desintrusão

A renda média na cidade alcançou 2,6 salários mínimos em 2023, com 2.442 trabalhadores com carteira assinada. Em 2010, quase metade da população tinha renda mensal per capita de até meio salário mínimo. Dados da Fapespa mostram crescimento de veículos e PIB municipal entre 2014 e 2023, além do aumento de estabelecimentos com vínculo empregatício.

O governo federal realizou ações de desintrusão para proteger os Munduruku, com a PF deflagrando a operação Munduruku Log em fevereiro de 2025, bloqueando 24 milhões de reais. Em dezembro de 2024, a operação Flygold II investigou movimentação de 6 bilhões de reais no comércio ilegal de ouro.

Panorama de 2017 a 2023

O levantamento da UEPA foi apoiado pelo Ministério dos Povos Indígenas e outras instâncias, cobrindo o período de 2017 a 2023. O estudo destaca a continuidade da pressão sobre territórios Munduruku, Yanomami e Kayapó, frente a novas estratégias de exploração.

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