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PCC há 20 anos: Ribeirão Preto vivia onda de terror com ruas desertas e mortes

Há vinte anos, ofensiva do PCC deixou 17 mortos, incluindo o delegado Adelson Taroco, paralisando Ribeirão Preto e revelando o alcance financeiro da facção

O delegado Adelson Taroco morreu após ter o corpo queimado durante rebelião em Jaboticabal (SP). — Foto: AcervoEP
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  • Em maio completam-se vinte anos desde a onda de ataques do PCC que deixou dezessete mortos e paralisou a região de Ribeirão Preto (SP) em dois mil e seis.
  • Um dos crimes mais lembrados foi a morte do delegado Adelson Taroco, queimado durante rebelião na cadeia de Jaboticabal; ele faleceu 19 dias depois, com 70% do corpo queimado.
  • A ofensiva atingiu delegacias, quartéis e ônibus; ao todo quarenta e sete pessoas foram investigadas, com pelo menos oito condenadas, e a família do delegado recebeu indenização estadual.
  • O medo se espalhou pela população, com ruas desertas e comércio fechando mais cedo; relatos de moradores e profissionais mostram o impacto na rotina.
  • Hoje, especialistas apontam evolução do crime organizado para atividades mais articuladas e financeiramente robustas; a Operação Carbono Oculto indica uso de setores legais, como uma usina de cana, para distribuir combustíveis adulterados.

O PCC coordenou uma série de ataques em maio de 2006 que deixou 17 mortos e paralisou a região de Ribeirão Preto (SP). A ofensiva ocorreu em resposta à transferência de líderes da facção para presídios de segurança máxima, atingindo delegacias, quartéis e ônibus.

Entre as vítimas, o delegado Adelson Taroco morreu 19 dias após a rebelião em Jaboticabal, após sofrer queimaduras em 70% do corpo. A operação envolveu também a morte de um agente carcerário em Ribeirão Preto e de um guarda florestal, além de outros ataques nas duas cidades.

A violência provocou investigações contra 37 presos pela morte de Taroco; pelo menos oito foram condenados. A família do delegado recebeu indenização do estado, segundo registros judiciais de 2015.

O medo se espalhou pela população: ruas desertas, comércio abrindo mais cedo e relatos de temor entre policiais. Testemunhas citam que o ambiente de risco influenciou rotinas, inclusive no atendimento de serviços públicos.

Historicamente, o episódio marcou o início de uma mudança na atuação das facções na região. Especialistas apontam que o crime organizado evoluiu para estratégias mais sofisticadas, com maior foco financeiro e infiltração econômica.

O peso econômico do crime

A região de Ribeirão Preto passou a acompanhar investigações sobre a atuação do PCC em atividades além do tráfico. A Operação Carbono Oculto apontou aquisição de ativos, como uma usina de cana em Pontal (SP), para distribuição de combustíveis adulterados.

Analistas destacam que o combate ao poder econômico das facções é essencial para reduzir a capacidade de atuação. Entendem que recursos fortes fortalecem a organização, dificultando ações de repressão.

O cenário atual indica que o crime organizado evoluiu, com atuação mais estruturada e financeira. Especialistas defendem foco em desarticulação de fluxos de recursos para reduzir a influência dessas organizações.

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