- Aaron Sutton participou do painel Repensando a Comunicação na Era do Efêmero no São Paulo Innovation Week (SPIW), ao lado de Marcelo Serpa e Candice Pomi.
- O debate tratou de como a efemeridade e a saturação de conteúdos podem prejudicar a comunicação e a atenção do público.
- Serpa citou o interesse em vídeos de ASMR para ilustrar a dificuldade de manter o foco diante de estímulos variados, destacando o desafio criativo atual.
- Candice Pomi e Sutton alertaram para o risco da IA e da algoritmização de conteúdos reduzirem a capacidade crítica e a compreensão do que é bom ou ruim.
- O painel discutiu como manter a criatividade em um ambiente de produção rápida, ressaltando a importância de pausas, texto e reflexão frente às novidades tecnológicas.
No painel Repensando a Comunicação na Era do Efêmero, no São Paulo Innovation Week (SPIW), Aaron Sutton, Marcelo Serpa e Candice Pomi discutiram como a efemeridade da era digital pode afetar a comunicação. O SPIW reúne especialistas em tecnologia e inovação e ocorre no Pacaembu e na Faap, em São Paulo.
Serpa, nome famoso da publicidade e hoje dedicado ao design e às artes plásticas, lançou a ideia de usar vídeos de ASMR para ilustrar a dificuldade de manter a atenção num fluxo intenso de informações. A sugestão, mais para provocação, ajudou a abrir a discussão sobre retenção de público.
Pomi, psicóloga e moderadora do debate, questionou se a publicidade ainda consegue ser memorável em meio à velocidade de consumo atual. Ela destacou a pressão por linguagem rápida e destacou o papel da palavra e do texto como elementos centrais da comunicação.
Sutton, diretor de criação da Africa Creative, alertou para a algoritmização dos conteúdos e a repetição rápida de recursos tecnológicos. Ele mostrou um experimento com o modelo de IA Claude para ilustrar como a avaliação de qualidade pode se tornar mais complexa à medida que a IA avança.
Efemeridade e impacto criativo
A conversa atingiu a questão central: é possível manter a qualidade criativa diante de conteúdos ultranutíveis? Os participantes observaram que a tecnologia facilita a produção, mas pode diminuir a criticidade do público.
Pomi citou exemplos de escolas suecas que restringem uso de dispositivos para estimular sensibilidade criativa e cognitiva. Serpa ressaltou a importância do espaço para pensar, argumentando que a pausa é crucial para a criatividade.
Sutton lembrou de casos práticos na história da publicidade, defendendo que a criatividade nasce de necessidade real. Ele contou continuação de uma trajetória onde a informação urgente impulsionou soluções criativas, mesmo fora do universo digital.
Perspectivas sobre o futuro da criatividade
A discussão tocou na convivência entre gerações no ambiente corporativo. Serpa afirmou que a experiência dos mais velhos é valiosa, enquanto os mais jovens trazem rapidez na identificação de tendências. A integração entre os estilos foi apontada como caminho equilibrado.
O painel incorporou exemplos de campanhas recentes da Africa Creative, incluindo ações para a Copa, que combinaram repertório clássico e tecnologia sem depender exclusivamente de recursos digitais. A equipe foi elogiada pela capacidade de resgatar referências.
Sutton encerrou enfatizando que a IA é inevitável, mas a avaliação humana de qualidade permanece essencial. O grupo destacou a necessidade de manter distinções claras entre bom conteúdo e o que é apenas função de algoritmo.
Conclusão do debate
O tema central foi a necessidade de preservar a cognição humana diante do avanço tecnológico. O grupo concordou que o desafio é manter a clareza, a criticidade e a qualidade criativa mesmo com ferramentas de IA e automação cada vez mais presentes.
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