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Edifício Viadutos: a história do prédio que transformou a paisagem paulistana

Edifício Viadutos, obra de Artacho Jurado, transforma a paisagem central de São Paulo com arquitetura eclética, uso misto e terraço com vista 360°

O icônico 'chapéu' panorâmico do Edifício Viadutos desafia o modernismo clássico, unindo função e estética única na paisagem de São Paulo
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  • Edifício Viadutos, projeto de Artacho Jurado, fica na Praça General Craveiro Lopes, Bela Vista, em São Paulo, inaugurado na década de cinquenta no cruzamento entre a Avenida Nove de Julho e o Viaduto Jacareí.
  • Possui 27 pavimentos, cerca de 30 mil metros quadrados de área construída e mais de mil residentes em 368 unidades, com 12 elevadores; o térreo abriga lojas e o topo traz salão de festas e terraço com vista 360° da cidade.
  • O estilo mistura modernismo, art déco e neoclassicismo, com pilotis cilíndricos, fachadas coloridas e o icônico “chapéu” de vidro; houve gestão inovadora com painel luminoso que gerava receita publicitária.
  • Tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico (CONPRESP) em 2002; em 2014 houve restauro da fachada, marquise e salão de festas, custeado pelos moradores, em torno de R$ 600 mil.
  • Considerado uma extensão da cidade, o edifício é de uso misto, com convivência central a poucos passos do Metrô Anhangabaú e do Terminal Bandeira, e reafirma-se como referência histórica e arquitetônica no centro de São Paulo.

O Edifício Viadutos, localizado na Praça General Craveiro Lopes, Bela Vista, SP, foi inaugurado na década de 1950. Situado no cruzamento entre a Avenida Nove de Julho e o Viaduto Jacareí, ele rompeu com a sobriedade da época e virou símbolo do modernismo popular.

A obra é de Artacho Jurado e recebe destaque pela patente visual: curvas marcantes, pilotis cilíndricos e um topiário de vidro que coroam a estrutura. O conjunto mistura glamour de Hollywood com referências de art nouveau, art déco e neoclassicismo.

Nabil Bonduki, arquiteto da FAU-USP, afirma que a implantação realça a paisagem ao oferecer vistas para o Vale do Anhangabaú e as passarelas do centro, conectando Bela Vista, Bixiga, República e o centro histórico.

Ecletismo frente ao rigor paulista

O Viadutos é descrito como único, pois reúne modernismo, art déco e classicismo em um volume que se destaca na cidade. O projeto utiliza um hexágono irregular, varandas e um salão de festas na cobertura, reforçando a identidade do conjunto.

Ruy Debs Franco aponta que o papel da implantação é decisivo para a grandiosidade da obra, com o edifício ocupando o lote de esquina de forma marcante, além de ter atraído investimentos rapidamente via uma gestão de painel luminoso que gerava receita.

A estratégia imobiliária envolve coexistência de diferentes tipologias, permitindo diversificação de público e valorização imobiliária dentro de um único volume, conforme explica o professor.

A monumentalidade no horizonte paulistano

O Viadutos tem 30 mil m² de área construída, 27 pavimentos e abriga mais de mil moradores em 368 unidades, com 12 elevadores. O térreo é comercial, enquanto o topo abriga o salão de festas com vista 360° da cidade.

A assinatura visual inclui pastilhas rosa nas pilastras, verde na cobertura, balcões com guarda-corpos vazados e o salão suspenso por pilares azuis, referências que caracterizam a estética do conjunto.

O terraço panorâmico representa a inovação: espaço público-coletivo no topo, diferente da tradição de reservar a cobertura apenas para áreas técnicas. A cobertura amplia a sensação de convivência entre moradores.

Preservação e restauro do Viadutos

O edifício foi tombado pelo CONPRESP em 2002, o que impôs diretrizes que frearam reformas. Em 2014 houve restauro da fachada, marquise e áreas de lazer, custeado pelos condôminos após o insucesso na captação via Lei Rouanet.

A restauração preservou a fachada, o topo e o térreo, assegurando a presença do Viadutos na paisagem central de São Paulo, mesmo diante de restrições do tombamento e custos de atualização funcional.

O Viadutos como patrimônio afetivo

O edifício continua sendo referência de Artacho, com cores e volumetrias que marcam a paisagem, e é lembrado como precursor de modos de morar contemporâneos. O tombamento ajuda a manter seu protagonismo visual e histórico.

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