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País amplia UTIs, mas vagas privadas são cinco vezes maiores que no SUS

Expansão de leitos de UTI não reduz desigualdade: vagas são cinco vezes mais prováveis na rede privada do que no SUS

UTI do Hospital Municipal M´Boi Mirim, em São Paulo
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  • O Brasil ampliou leitos de UTI adulto em 67% na última década, de 28,4 mil para 47,6 mil.
  • Em 2016 havia 13.869 leitos no SUS, que passaram para 23.218 em 2025; na rede suplementar, foram de 14.572 para 24.426.
  • Em 2025, a rede particular teve 68,8 leitos de UTI por 100 mil habitantes, enquanto o SUS registrou 13,05; pessoas com planos têm cinco vezes mais chance de conseguir leito.
  • A Organização Mundial da Saúde recomenda de 10 a 30 leitos de UTI por cada 100 mil habitantes; o Brasil registra 22,3, apontando desigualdade.
  • A distribuição é desigual: cerca de 85% dos leitos do SUS atendem 85% da população, enquanto 15% com planos de saúde acessam a outra parcela; acesso primário precário aumenta a dependência da UTI.

O país ampliou significativamente a disponibilidade de leitos de UTI nos últimos anos, mas o acesso continua desigual. Dados da Amib indicam crescimento de 67% nos leitos adultos entre 2016 e 2025, de 28,4 mil para 47,6 mil.

Na rede SUS, o total de leitos aumentou de 13.869 em 2016 para 23.218 em 2025. Já na rede suplementar, houve alta de 14.572 para 24.426 no mesmo período. A expansão é real, porém distribuída de forma assimétrica.

Em 2025, a taxa de leitos por 100 mil habitantes ficou em 68,8 na rede privada e 13,05 no SUS. Com isso, pacientes com planos de saúde teriam cerca de cinco vezes mais chances de conseguir uma vaga de UTI do que quem depende exclusivamente do SUS.

A OMS recomenda entre 10 e 30 leitos por 100 mil habitantes. O Brasil, com 22,3, enfrenta um problema de equidade. A maioria dos leitos está concentrada em segmentos que atendem quem tem plano de saúde.

Especialista da Amib aponta que a distribuição favorece 85% da população ligada ao SUS e apenas 15% com planos. A concentração de leitos agrava a dependência da atenção terciária para quem não tem acesso à primária.

A distância entre regiões também é evidência de desigualdade. Pessoas do Norte enfrentam maiores dificuldades de acesso comparadas a quem vive no Sudeste ou Centro-Oeste com planos de saúde.

Segundo a Amib, a percepção de que o Brasil tem poucos leitos não condiz com a realidade: no cenário absoluto, o país possui um parque de UTI considerável, ficando atrás apenas de Estados Unidos e China em termos de leitos para adultos.

Especialistas alertam que falhas na atenção primária elevam a demanda pela UTI, ampliando a demora no acesso ao cuidado intensivo. Quanto mais cedo o paciente chega à rede, maiores as chances de recuperação.

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