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Mãe que perdeu filho em ataques do PCC recebe notícia pelo rádio

Depois de perder o filho em ataque policial vinculado aos Crimes de Maio, Débora luta há anos pela responsabilização do Estado e pelo reconhecimento das vítimas

Débora Maria da Silva é mãe de Edson Rogério Silva dos Santos, morto aos 29 anos por policiais
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  • Débora Maria da Silva perdeu o filho Edson Rogério, morto a tiros no Morro da Nova Cintra, em Santos, durante retaliações de policiais após ataques do PCC em maio de 2006.
  • Edson morreu no dia 15 de maio de 2006, após aguardar atendimento em posto de combustível fechado pelo toque de recolher; o assassinato ocorreu entre as 22h30 e 22h45.
  • A mãe soube da morte pelo rádio pela manhã seguinte; o caso é associado aos Crimes de Maio, quando dezenas de pessoas foram mortas por agentes públicos e civis.
  • Débora criou o movimento Mães de Maio, buscando responsabilização do Estado e reconhecimento de violações de direitos humanos, com ações em andamento no Superior Tribunal de Justiça.
  • Atualmente, o reconhecimento formal de que a Polícia Militar atuou na morte e indenizações completas ainda não ocorreu; a luta segue há cerca de vinte anos.

Débora Maria da Silva, hoje com 67 anos, busca há 20 anos a responsabilização do Estado pela morte do filho Edson Rogério Silva dos Santos, ocorrida em 2006. A tragédia faz parte da retaliação de grupos de extermínio após ataques do PCC. Edson tinha 29 anos e foi assassinado em Santos, no litoral de São Paulo.

Na manhã de 15 de maio de 2006, Débora recebeu um telefonema de um policial próximo da família, que informou sobre o toque de recolher. O recado era para que pessoas de bem evitassem sair de casa. A mãe relata o momento de desespero ao ouvir a notícia pela rádio.

Contexto dos fatos e desdobramentos

Edson Rogério havia parado a moto para abastecer após ficar sem gasolina, no caminho para um amigo. O amigo viu Edson sendo abordado por policiais, em meio ao toque de recolher, e presenciou a saída das viaturas. Ele foi atingido por cinco tiros no trajeto entre o Morro da Nova Cintra e a Rua Torquato Dias.

O caso chegou a constatar que a ficha de antecedentes de Edson foi consultada várias vezes no dia seguinte, em diferentes horários, no Sistema de Identificação Civil e Criminal. Defesa alega que a punição por roubo ocorrera anos antes e que Edson já cumprira a pena, o que alimenta a narrativa de prática de extermínio contra pessoas com antecedentes.

Débora ficou sabendo da morte pela manhã, ao ouvir a programação policial no rádio. O relato de família aponta que o velório foi marcado por constantes deslocamentos de viaturas pela região, o que provocou intimidação entre os presentes.

Luta pela responsabilização e reconhecimento

O Ministério Público chegou a pedir o arquivamento do caso, em 2008, conforme registro de autoridades paulistas. A defesa e ativistas descrevem o episódio como parte de uma rotina de violência estatal contra jovens periféricos e negros. Em resposta, Débora fundou o movimento Mães de Maio, reunindo outras mães que vivem situações semelhantes.

Ao longo dos anos, houve ações para reparar danos e reconhecer as violações, incluindo uma pensão vitalícia para Débora, reconhecendo que Edson trabalhava e morreu durante o contexto dos conflitos de 2006. No entanto, a responsabilização direta da Polícia Militar ou do Estado não foi reconhecida, e tramita no STJ uma ação civil pública que visa esse reconhecimento formal dos Crimes de Maio como graves violações de direitos humanos.

A repercussão do caso levou à criação de iniciativas públicas, como o segundo ciclo do Tribunal Popular, lançado recentemente em São Paulo por familiares de vítimas da violência estatal. Débora afirma que a dor envolve não apenas a perda, mas a busca por responsabilidade e reparação para as famílias afetadas.

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