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Muitas mulheres só percebem violência obstétrica anos depois

O reconhecimento da violência obstétrica costuma ocorrer anos depois do parto, quando o trauma é nomeado e recebe acolhimento psicológico

Trauma da violência obstétrica pode permanecer ativo por muito tempo
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  • A violência obstétrica ainda é naturalizada por muitos, incluindo gritos, pressão psicológica, procedimentos sem consentimento e perda de autonomia durante o parto.
  • Em várias mulheres, o reconhecimento do trauma surge apenas anos depois, ao encontrar um espaço seguro para falar sobre a experiência.
  • O trauma pode aparecer por meio de crises de ansiedade, medo de engravidar novamente, dificuldade de vínculo materno e depressão pós-parto.
  • Relatos citam humilhações, ordens agressivas e a manobra de Kristeller, com sequelas como dores físicas e sofrimento emocional persistente.
  • O acolhimento psicológico é fundamental para nomear e elaborar o trauma, promovendo respeito, escuta e humanização no cuidado à mulher.

O nascimento de um filho costuma ser lembrado como um marco na vida de uma mulher, mas para muitas mães a experiência pode trazer medo, humilhação e sofrimento emocional. A psicóloga e psicanalista Mariza Souza explica por que a violência obstétrica nem sempre é percebida no momento e como o trauma pode persistir anos após o parto.

Segundo a especialista, o reconhecimento da violência obstétrica costuma ocorrer somente quando a mulher encontra um espaço seguro para falar sobre a experiência. O trauma pode se manifestar mesmo sem sinais explícitos, inclinado a crises de ansiedade, medo de engravidar novamente e dificuldades de vínculo com o bebê.

A violência obstétrica vai além da agressão física. Ela inclui negligência, desumanização do cuidado, falta de escuta e perda de autonomia durante o parto, momentos de vulnerabilidade extrema. A percepção do trauma pode surgir muito tempo depois, em forma de sofrimento emocional.

Como o trauma se revela

Pacientes em tratamento psicológico relatam que, durante anos, acreditaram que as experiências vividas eram normais. Em alguns casos, houve repreensão durante o trabalho de parto, pedidos de colaboração forçada e uso de técnicas invasivas sem cuidado emocional adequado.

Em muitos relatos, o parto é acompanhado de dores físicas intensas, depressão pós-parto e dificuldades de locomoção, sem acolhimento adequado. A sensação de que algo ficou sem ser resolvido emocionalmente persiste.

Importância do acolhimento psicológico

O papel do apoio psicológico é fundamental para a elaboração do trauma. Dar nome ao que aconteceu não aumenta o sofrimento; muitas vezes, é o passo necessário para que o trauma deixe de atuar de forma silenciosa na vida psíquica.

Mariza Souza ressalta que reconhecer que medo, tristeza ou raiva não tornam a mulher uma mãe pior é parte do processo de elaboração. Falar sobre violência obstétrica amplia a consciência sobre a importância do respeito, da escuta e da humanização no parto.

Toda mulher merece tratamento digno durante o parto, e toda dor emocional associada à experiência requer acolhimento, reconhecimento e cuidado.

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