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Gilles Lipovetsky discute relação entre luxo e socialismo

Filósofo francês diz que o luxo é plural e acessível, redefinindo o setor e elevando o debate sobre responsabilidade ambiental

Filósofo durante palestra em SP. Jean Carniel/Estadão
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  • O filósofo francês Gilles Lipovetsky falou no São Paulo Innovation Week, na Faap, sobre o luxo sob uma perspectiva contemporânea.
  • Afirmou que não existe mais um único luxo, mas vários luxos, citando exemplos como bolsas Chanel acessíveis em brechós.
  • Destacou que o luxo atual mantém prestígio global e, ao mesmo tempo, oferece produtos relativamente acessíveis, como batom Chanel autêntico, porém mais acessível.
  • Comentou sobre a responsabilidade ambiental e social do setor, argumentando que o luxo precisa repensar seu papel no futuro.
  • Mencionou a Hermès como exemplo de resistência a crises, destacando a prática de renovar dois terços de seus produtos a cada seis meses.

O filósofo francês Gilles Lipovetsky participou de uma conversa no início desta semana no teatro da Faap, em São Paulo. O encontro, ligado à trilha de luxo do São Paulo Innovation Week, reuniu público lotado para debater o futuro do luxo. O evento ocorreu na instituição paulista e teve tradução simultânea para atender à maioria dos presentes.

Lipovetsky, nascido em 1944, abriu o diálogo com uma visão sobre o luxo contemporâneo. Segundo ele, o que existe hoje são *luxos* distintos, não apenas uma única categoria. O pensador, com raízes acadêmicas no marxismo e participação nos movimentos de 1968, analisou como itens de alto valor podem conviver com preços acessíveis em determinadas ocasiões.

Durante a discussão, o filósofo enfatizou que o luxo atual pode incluir itens de segunda mão de marcas tradicionais, como bolsas de alto nível, desde que ofereçam prestígio global. A ideia central é que certos produtos conservam uma percepção de exclusividade mesmo quando adquiridos fora do circuito tradicional.

Estratégia e identidade das marcas

A conversa avançou para a estratégia de marcas de luxo, com foco na Hermès. Lipovetsky destacou a longevidade da maison francesa, que mantém uma política de renovação de grande parte de seus itens sem aderir ao ritmo do fast fashion. A marca é citada como exemplo de qualidade e consistência mesmo em tempos de crise econômica.

O professor analisa que a renovação constante de produtos pode manter o prestígio da grife, sem comprometer a identidade da marca. O público acompanhou atentamente a exposição, anotando dados sobre produção e posicionamento no mercado de luxo global.

Perspectivas para o futuro do setor

A discussão também abordou o papel de responsabilidade ambiental no segmento. Lipovetsky argumentou que o luxo, historicamente distanciado de preocupações sociais, está passando por uma transformação que envolve sustentabilidade e impacto futuro. A ideia é que o setor precisa responder aos desafios ecológicos sem perder sua essência de expressão material.

Ao longo da apresentação, o debate permaneceu com foco informativo e analítico, sem juízos de valor sobre estilos de consumo. O repercussão entre o público foi de curiosidade sobre como o luxo pode se manter relevante em contextos econômicos diversos.

Dinâmicas culturais e museus

O filósofo também mencionou o papel de instituições culturais. Em tom que misturou cultura, turismo e economia, Lipovetsky citou visitas privadas ao Louvre e a possibilidade de novas formas de turismo de alto custo. A observação abriu espaço para refletir sobre como o acesso a experiências exclusivas influencia o conceito de luxo.

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