- O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico decidiu manter o tombamento da antiga Escola Panamericana de Arte e Design, em Higienópolis, São Paulo, e arquivar o recurso da Keeva Investimentos e Participações.
- O prédio é conhecido pela arquitetura “high-tech” em aço e havia sido reconhecido como patrimônio desde 2024; fica no centro de São Paulo e foi inaugurado em 1998.
- O recurso foi movido pela família Lipszyc, proprietária da Keeva, após oposição dos herdeiros de Enrique Lipszyc e do arquiteto Siegbert Zanettini; a deliberação foi reiniciada com os nove membros do conselho.
- Com o tombamento mantido, mudanças significativas precisarão de autorização de órgãos de patrimônio, mas houve decisão de retirar algumas exigências técnicas do tombamento, como continuidade de luminárias, sinalizações e cores.
- O prédio está, neste ano, sob uso da ESPM; apoiadores do tombamento, incluindo o Docomomo, destacam o valor da obra para a arquitetura brasileira, em meio ao cenário de verticalização em Higienópolis.
O Conpresp decidiu manter o tombamento da antiga Escola Panamericana de Arte e Design, em Higienópolis, São Paulo, e arquivar o recurso apresentado pela Keeva Investimentos e Participações, empresa da família Lipszyc. A deliberação ocorreu nesta segunda-feira e envolve o patrimônio arquitetônico do imóvel, reconhecido desde 2024.
O caso opõe herdeiros de Enrique Lipszyc, fundador da instituição, e Siegbert Zanettini, arquiteto do projeto, à defesa do tombamento. O recurso foi retomado após pedido de vista em fevereiro, com a votação reiniciada e todos os nove conselheiros se manifestando.
O prédio, inaugurado em 1998, é conhecido pela arquitetura em aço e estética high-tech, localizada na região central de São Paulo. A obra é associada a referências internacionais como o Centro Pompidou e a pirâmide do Louvre, o que sustenta a classificação entre patrimônio de destaque.
O tombamento autoriza apenas alterações com aprovação de órgãos de patrimônio, não definindo desapropriação. A decisão também acatou orientação do DPH para reduzir exigências de continuidade de elementos originais, como luminárias, sinalização e cores.
Contexto técnico e histórico
O autor do projeto foi professor da FAU-USP por cerca de 40 anos, reconhecido por obras de hospitais e pela experiência com estruturas de aço. O edifício tem quatro andares, paredes de vidro e estrutura exposta, com design que prega a transparência das instalações.
O processo teve início em 2021, quando a Appit acionou o tombamento em meio a obras de demolição de outra unidade da escola nos Jardins. O imóvel de Higienópolis, contudo, não está previsto para demolição no momento, segundo a defesa.
A ESPM, que utiliza o espaço desde 2026, informou reconhecer a importância simbólica do prédio, mas afirmou não ter ingerência sobre o destino do imóvel, por não ser proprietária. A decisão não altera a posse do imóvel pela atual ocupante.
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