- O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania informou que, de janeiro a abril de 2026, foram registradas mais de 32,7 mil violações sexuais contra crianças e adolescentes no Disque Direitos Humanos, com alta de 49,48% em relação ao mesmo período de 2025.
- Os casos costumam ser subnotificados; entre meninos o silêncio é maior; entre adolescentes de 10 a 19 anos, 92,7% das notificações envolveram meninas.
- A faixa etária de 5 a 9 anos concentrou o maior número de notificações, com 53,8% entre meninas e 60,1% entre meninos; mais de um terço dos casos foi reincidente.
- O estupro foi a violência mais frequente; a maioria das vítimas era preta ou parda e a maioria dos agressores era homens.
- Especialistas destacam a necessidade de prevenção e educação emocional, além de enfatizar que a proteção principal continua a cargo de adultos, instituições e sociedade; a autodefesa pode ajudar, mas não substitui a responsabilidade de proteção.
O Disque Direitos Humanos registrou mais de 32,7 mil violações sexuais contra crianças e adolescentes entre janeiro e abril de 2026, segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. O dado representa um aumento de quase 50% em relação ao mesmo período de 2025.
Especialistas apontam que o crescimento pode refletir maior conscientização e maior disposição para denunciar. Máquinas de subnotificação também ajudam a explicar que muitos casos ainda não chegam aos serviços de proteção.
Entre 2015 e 2021, meninas responderam por 76,8% das denúncias de violência sexual na infância. Crianças de 5 a 9 anos concentraram mais da metade das notificações em meninas e meninos, com alta incidência de reincidência.
Contexto e dados
O boletim epidemiológico Notificações de violência sexual contra crianças e adolescentes no Brasil, 2015 a 2021, é a base para esses números. O documento ressalta subnotificação e maior silêncio entre meninos.
Quem atua aponta que a violência contra meninas é mais visível, mas a proteção precisa alcançar meninos também. Especialistas destacam a importância de evitar narrativas que gerem medo excessivo e reforcem estigmas de gênero.
Educação e prevenção
A defesa da educação corporal e emocional é apresentada como fundamental. Crianças devem aprender a dizer não, conhecer seus limites e recorrer a adultos seguros. A comunicação precisa ser simples e reiterar que contar não traz punição.
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