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Idosos da capital reivindicam maior cidadania e participação urbana

No DF, população 60+ cresce enquanto mobilidade, acessibilidade e acolhimento não acompanham, ampliando violência, abandono e vulnerabilidade

Ceci Oliveira tem dificuldades para subir as escadas da Rodoviária do Plano Piloto
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  • Idosos no Distrito Federal enfrentam dificuldades diárias de mobilidade, acessibilidade e acolhimento, com dados do IBGE mostrando crescimento de pessoas com 60 anos ou mais vivendo sozinhas no DF.
  • A PNAD Contínua de 2025 aponta que 32,2% da população da capital tinha 60 anos ou mais em arranjos unipessoais; em 2012 esse contingente era de 9,9%.
  • A Polícia Civil do DF registrou 38.831 ocorrências envolvendo vítimas com mais de 59 anos entre janeiro de 2025 e março de 2026, com fraudes na internet (23,4%) e violência em residência (17,8%) entre os quadros mais comuns.
  • O Governo do Distrito Federal tem 10 abrigos institucionais para idosos na capital, com 411 residentes; há atraso frequente no repasse de recursos, e a Sedes trabalha para ampliar vagas e fortalecer as redes de proteção.
  • A série Envelhecer é Moderno destaca a necessidade de adaptar a cidade, com foco em transporte acessível, moradias assistidas, espaços de convivência e proteção a idosos sem rede familiar.

Entre ausências urbanas, a terceira idade busca mais cidadania na capital. Dados e histórias regionais apontam dificuldades de mobilidade, acessibilidade e acolhimento no DF, com aumento de idosos que vivem sozinhos e de violências contra esse grupo.

Ceci Oliveira, 73 anos, ilustra a realidade. Subiu 27 degraus da Rodoviária do Plano Piloto em quatro minutos, enquanto a escada rolante estava indisponível por manutenção. A aposentada enfrenta artrose e prefere andar devagar para evitar machucar-se.

O deslocamento diário envolve ônibus com degraus altos e assentos preferenciais disputados. Ceci relatou evitar pedir o banco, temendo atritos. Ela mora sozinha no Riacho Fundo I e depende de irregularidades no transporte para cumprir tarefas no centro de Brasília.

Carências

No DF, 70 mil pessoas com 60 anos ou mais vivem sozinhas. Em 2025, 32,2% da população nessa faixa etária morava sozinha, um salto expressivo desde 2012, segundo a PNAD Contínua do IBGE. A vulnerabilidade se reflete em violência, negligência e fragilidade de redes de proteção.

Entre janeiro de 2025 e março de 2026, a Polícia Civil registrou 38.831 ocorrências envolvendo vítimas com 60 anos ou mais. Fraudes online, violência dentro de residências e situações de negligência aparecem entre os casos mais comuns, segundo a Decrin.

A delegada-chefe adjunta Cyntia Carvalho e Silva destacou ainda o risco de abandono em hospitais ou lares, quando a rede familiar não sustenta a pessoa idosa. Em ações emergenciais, a rede de proteção é acionada para encaminhar para assistência social e órgãos de proteção.

Acolhimento

Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF), a capital dispõe de 10 abrigos institucionais para idosos, com três públicos e sete OSCs financiadas pelo governo. Hoje, cerca de 411 idosos são acolhidos nessas unidades. A pasta admite atrasos em repasses, mas afirma que pagamentos foram regularizados.

As unidades gerenciadas diretamente pela Sedes atendem idosos independentes, enquanto OSCs apoiam diferentes graus de dependência. O Lar de Velhinhos Maria Madalena é uma dessas entidades; entre as 94 vagas, 92 recebem moradores encaminhados pela pasta.

Companhias

O Maria Madalena oferece atividades sociais e culturais, como bingo, karaokê e passeios a museus, teatros e cinemas. Moradora há seis meses, Ana Tereza Silva, 71, busca manter contato com irmãos no Sul e descreve a casa como acolhedora, mesmo com saudades da família.

Entre as histórias, Hilton Soares de Araújo, 66, destacou o desejo de proteção para os idosos e o respeito que esperam na sociedade. O lar também celebra o contato com a comunidade por meio de iniciativas como rádio e eventos beneficentes.

Palavra do especialista

Urgentemente, a cidade precisa adaptar-se para a população envelhecida. Pesquisadores apontam que Brasília ainda não prioriza a mobilidade urbana para idosos, incluindo ônibus mais baixos ou com mecanismos de rebaixamento de chassis. A mobilidade pede vias mais seguras para pedestres e menores tempos de espera nos semáforos.

A adaptação passa por ampliar moradias assistidas, apoiar redes de acolhimento e criar espaços coletivos para socialização. A ideia é facilitar o ir e vir de quem tem menos velocidade de deslocamento, sem comprometer a dignidade de todos.

Onde pedir ajuda

  • Decrin, presencialmente ou pelo telefone;
  • Mais de 35 delegacias de plantão no DF;
  • Disque 100, disponível 24h;
  • Delegacia eletrônica da PCDF e 197, com possibilidade de denúncia anônima;
  • Em risco imediato, ligar para a PMDF, pelo 190.

Estagiária, com orientação de Eduardo Pinho, ressalta que a próxima reportagem abordará como o público 60+ enfrenta o etarismo no DF.

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