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Museus investem em engajamento social para se manterem relevantes

Engajamento social transforma museus em espaços cívicos, ampliando participação de comunidades e jovens para aumentar acessibilidade e relevância

Museus viram cada vez mais espaços para atividades sociais, como pilates no Musée La Piscina, na França
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  • Museus ao redor do mundo estão investindo em engajamento social, com foco em moradores, grupos marginalizados e jovens, inspirado pela experiência da América Latina.
  • O Conselho Internacional de Museus (ICOM) atualizou, em dois mil e vinte e dois, a definição de museu para incluir participação social, reforçando práticas latino-americanas de museus cidadãos e comunitários.
  • Exemplos globais vão além de exposições: no Museu Nacional de Singapura há atividades para idosos; há também iniciativas de “museus por prescrição” que ligam visitas a tratamentos para depressão e solidão, além de debates e visitas escolares.
  • No Rio de Janeiro, o Museu de Favela (MUF), criado em dois mil e oito, funciona como museu vivo e tem moradores das favelas Pavão, Pavãozinho e Cantagalo como principal elenco, participando de exposições, oficinas e palestras.
  • Iniciativas de participação vão ganhando espaço em instituições tradicionais, como o Gesellschaftsforum da Bundeskunsthalle, na Alemanha, e a inclusão de jovens no Stedelijk, em Amsterdã, com estudos apontando que programas contínuos e inclusivos são essenciais para manter relevância.

O debate sobre o papel dos museus ganhou contornos globais, com a América Latina servindo de referência para engajamento social. Movimentos concentram esforços em comunidades marginalizadas, jovens e moradores, ampliando o foco além das obras.

O Conselho Internacional de Museus (ICOM) revisou, em 2022, a definição de museu para incluir participação social. A mudança que antes descrevia museus como prestadores de serviço passou a enfatizar o envolvimento da sociedade.

Na região, práticas participativas apareceram desde os anos 1970, com museus que combinam inclusão, cidadania e transformação social. Hoje, o conceito de museologia social prioriza pessoas vivas e comunidades vulneráveis.

Evolução do papel público

Especialistas afirmam que museus passam a funcionar como infraestruturas sociais e cívicas, além de espaços de confiança para interação e troca de ideias. O financiamento público vincula-se cada vez mais à relevância social das instituições.

No Sudeste Asiático e na Europa, instituições tradicionais incorporam formatos de engajamento. As ações vão além de visitas guiadas, incluindo atividades comunitárias, palestras e parcerias em saúde pública.

Exemplos internacionais

O Museu Nacional de Singapura oferece dança, arte e debates para idosos com dificuldades cognitivas. A proposta transforma o museu em espaço de socialização para grupos historicamente excluídos.

Em Los Angeles, o Hammer promove leituras de poesia e debates com especialistas jurídicos, ampliando o alcance educativo de seu acervo. Eventos assim conectam cultura, direito e comunidade.

O conceito de “museus por prescrição” ganha adesão: parcerias com sistemas de saúde reconhecem visitas como ajuda terapêutica contra depressão e solidão.

Iniciativas locais no Brasil e além

O Museu de Favela (MUF), no Rio de Janeiro, descreve-se como museu vivo, com moradores das favelas Pavão, Pavãozinho e Cantagalo como principal acervo. Exposições, depoimentos e oficinas são conduzidos por moradores.

Outros museus promovem participação cidadã sem depender de curadores externos. Em Novi Sad, Sérvia, a galeria Galería Matica Srpska realizou um projeto em que cidadãos escolheram obras com significado pessoal para expor.

Transformação institucional

Na Alemanha, a Bundeskunsthalle criou, em 2023, o Gesellschaftsforum, conselho formado por 31 cidadãos locais para orientar o museu. A ideia virou órgão permanente, ampliando acessibilidade e participação comunitária.

Em Amsterdã, o Stedelijk incorpora jovens: 18 anos de atuação, com 15 adolescentes contribuindo em funções diversas, da curadoria ao marketing. Estudos indicam eficácia de programas contínuos e inclusivos para manter relevância.

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