- Aymeric Paillard trabalha vinhas nas encostas de Saint-Joseph, com abordagem artesanal e inclinção de 35% a 40%, sem mecanização.
- Reabilita um vinhedo de 3,7 hectares, replantando cepas antigas e incorporando seleção massale e sérine para syrah, priorizando plantas de pequenas uvas que dão estrutura ao vinho.
- Adota produção orgânica desde os 22 anos, com mínimo uso de químicos, cultivo sem aração mecânica e manejo de solos com tração animal.
- As vindimas são totalmente manuais, com rendimentos baixos, buscando uma tradução fiel do terroir no paladar dos vinhos.
- Em 2014, aos 35 anos, adquiriu as primeiras parcelas em Saint-Joseph, depois ampliando com mais vinhedos na região e em Cornas, mantendo foco na expressão do lugar.
Aymeric Paillard, instalado nas encostas de Saint-Joseph, conduz suas vinhas com paciência e uma abordagem artesanal centrada no terroir. Hoje, produz syrahs vibrantes e luminosas, resultado de uma leitura firme das encostas graníticas da região.
Na elevação de Saint-Jean-de-Muzols, Paillard cultivava uma parcela inclinada entre 35% e 40%, onde nada é mecanizável. O trabalho ocorre com pele, tosquia e atenção ao detalhe, valorizando a visão acima da produção rápida.
Trajetória e abordagem vitícola
Filho de uma tradição de vignerons e négociants de Champagne, Paillard cresceu entre vinhos, histórias familiares e a tentação de explorar o mundo. Aos 17 anos, deixou o berço familiar e seguiu por estudos diversos até retornar à terra anos depois.
Aos 22, voltou a estudar viticultura e enologia na Provence. Nos fins de semana, explorava o Rhône e conhecia produtores locais, o que despertou o amor pelo vinhedo. Uma década depois, surgiu a oportunidade de se fixar em Saint-Joseph.
Em 2014, aos 35 anos, adquiriu as primeiras parcelas em Sarras, na comuna de Saint-Joseph. O vinhedo original era de 3,7 hectares, com histórico de manejo tradicional que limitava a expressão das encostas.
O trabalho atual envolve replantio, substituição de cepas mortas e recuperação de vinhedos que haviam sido explorados de forma intensiva. Hoje, Paillard administra cerca de 5 hectares, com velhos cepos dos anos 80 convivendo com plantas novas de seleção massale e de serine, especialmente para a Syrah.
O cultivo é orgânico desde o início. A prática evita químicos e prioriza a biodiversidade, com gramíneas entre as filas e flores silvestres. Os solos graníticos recebem mínimo de intervenção, com aragem e destoconagem a partir de trabalho manual ou com tração animal.
“Nosso trabalho é repetitivo, mas feito com propósito. Aprender a fazer bem, com sentido, é o que guia cada gesto”, resume o vigneron. As colheitas são 100% manuais, com rendimentos baixos que preservam a delicateza dos vinhos.
Entre as tradições, Paillard mantém uma visão de terroir que privilegia a essência do lugar. Em garrafas, as syrahs refletem a paisagem de Saint-Joseph, com uma estrutura firme, marcada pela mineralidade do granito.
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