- Waldirene Nogueira foi a primeira mulher trans a passar por cirurgia de redesignação sexual no Brasil, em dezembro de 1971, aos 26 anos, no Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo.
- A operação foi feita pelo médico Roberto Farina; em 1978, Farina foi condenado a dois anos de reclusão por lesão corporal gravíssima relacionada ao caso.
- Antes da cirurgia, Waldirene sofreu constrangimento e foi submetida a exame no Instituto Médico Legal para confirmar o sexo, episódio registrado no laudo.
- Ela lutou para mudar o nome nos documentos, mas a justiça inicialmente negou; a certidão de nascimento só foi alterada em 2010 e o RG em 2011.
- Em 1º de março deste ano, o STF autorizou a mudança de nome e sexo diretamente em cartório, sem necessidade de autorização judicial, parecer médico ou cirurgia prévia.
Waldirene Nogueira morreu aos 80 anos na terça-feira, 19, deixando o marco como a primeira mulher trans a passar por uma cirurgia de redesignação sexual no Brasil, em 1971, aos 26 anos. A atuação ocorreu no Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo, sob os cuidados do médico Roberto Farina.
A operação ocorreu após dois anos de acompanhamento por uma equipe do Hospital das Clínicas, que reconheceu Waldirene como transexual. Em 1976, o Ministério Público denunciou Farina por lesão corporal gravíssima, e Waldirene foi alvo de disputas judiciais ligadas à identidade de gênero.
Em 1978, o juiz de primeira instância condenou Farina a dois anos de reclusão, sob a alegação de tratamento inadequado. A defesa recorreu, e a condenação foi anulada em segunda instância, em 1979. Waldirene manteve o nome de batismo nos registros por décadas.
Contexto jurídico e impacto médico
O caso expôs debates sobre cirurgia de redesignação, identidade de gênero e tratamento médico no Brasil ainda durante a ditadura. Em 2010-2011, Waldirene conseguiu alterar seus documentos, mas a mudança de nome e sexo pelo STF, em março deste ano, passou a ocorrer diretamente em cartório, sem autorização judicial.
A história também repercutiu no campo médico: Farina é visto por colegas como pioneiro, enquanto o processo gerou críticas sobre práticas hospitalares da época. A decisão de julgar o médico ocorreu em segunda instância, com desdobramentos que ajudaram a moldar debates sobre direitos trans no Brasil.
Waldirene seguiu trabalhando como manicure e viveu com dificuldades de saúde e aceitação social. Ela não se casou nem teve relacionamentos estáveis no período posterior ao processo. Hoje, reside em uma cidade do interior de São Paulo, mantendo trajetória marcada pela pioneira mudança de sexo no país.
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