- Gavião Peixoto, em São Paulo, lidera o IPS 2026 como a cidade com melhor qualidade de vida no Brasil, com 73,1 pontos em uma escala de 0 a 100, entre 5.570 municípios.
- O município, com cerca de 4,7 mil habitantes, ganhou notoriedade pela unidade da Embraer e pela maior pista de pouso da América Latina, com 4.966 metros de extensão.
- As coxinhas gigantes são marca local e atraem visitantes de várias regiões; o comércio destaca educação, saúde e serviços públicos de qualidade como justificativas para a liderança.
- O PIB per capita é de 369 mil reais; 98,6% das crianças entre 6 e 14 anos estão na escola; o Ideb para os anos iniciais é 6,8, com evasão escolar próxima de zero.
- A maternidade não fica no município; partos ocorreram em hospitais vizinhos, como Araraquara, e o IPS aponta 77,62 pontos no componente Inclusão Social.
Desde 2024, Gavião Peixoto no interior de São Paulo figura entre as cidades com melhor qualidade de vida do Brasil. Pela terceira vez consecutiva, ficou em primeiro lugar no IPS 2026, com nota 73,1 em uma escala de 0 a 100, entre 5.570 municípios avaliados.
O IPS é elaborado pelo Imazon em parceria com a Social Progress Imperative. O estudo classifica o desempenho em três grupos: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-Estar e Oportunidades, com foco em saúde, educação, ambiente e direitos individuais.
Coxinhas gigantes atraem visitantes de todo o país
Gavião Peixoto ficou conhecida pela iguaria local: coxinhas gigantes que pesam quase meio quilo. A unidade de venda local atrai público de várias regiões, sendo um destaque turístico da cidade.
A comerciante Ana Cláudia Peleteiro relata que o quiosque inicial foi herdado pela família e ampliado com opções ainda maiores, incluindo versões de até um quilo, com recheios diferenciados. A popularidade cresce com os visitantes sazonais.
A coxinha gigante tornou-se símbolo da cidade, associada à marca regional que envolve turismo gastronômico e a identidade local, fortalecendo a economia local.
Embraer e a maior pista de pouso do Hemisfério Sul
A presença da Embraer em Gavião Peixoto contribuiu para a projeção econômica do município. A unidade fabrica aeronaves militares e componentes civis, incluindo o cargueiro C-390 Millennium e o caça F-39E Gripen.
O F-39E Gripen é resultado de uma parceria entre Embraer e Saab, com transferência de tecnologia. O Centro de Ensaios em Voo abriga também a maior pista de pouso da região, com quase 5 mil metros.
Segundo a Embraer, a pista de 4.966 metros é a segunda maior do planeta, atrás apenas de um aeroporto russo. O complexo de Guarujá não se aplica; a referência é a pista de Gavião Peixoto.
Desempenho social e econômico do município
O IPS aponta que o PIB per capita de Gavião Peixoto está entre os mais altos do país, com média de R$ 369 mil por habitante em 2023 (IBGE). A educação municipal também apresenta indicadores elevados.
Em 2025, 98,6% das crianças entre 6 e 14 anos estavam na escola. O Ideb para os anos iniciais chegou a 6,8, superando a meta nacional de 6,0. A prefeitura afirma ausência de filas por vagas e evasão escolar próxima de zero.
No eixo Segurança e Moradia, Gavião Peixoto obteve 80,46 pontos, enquanto Água e Saneamento alcançaram 89,99. Acesso ao Conhecimento Básico e à Informação registrou 85,67 e 90,40, respectivamente.
Inclusão social e saúde, com desafios
O IPS atribuiu 77,62 pontos ao componente Inclusão Social. Ainda assim, o eixo Saúde e Bem-Estar ficou em 53,11 pontos, com fatores como obesidade, mortalidade precoce e doenças crônicas influentes.
O levantamento aponta que a cidade não possui maternidade própria, o que exige atendimentos em municípios vizinhos, como Araraquara, para partos. Registros de nascimento são feitos em Gavião Peixoto.
O prefeito Adriano Marçal (PSD) celebrou o reconhecimento, destacando a participação da gestão pública e da população na melhoria local. A prefeitura reforça que a parceria entre setores sustenta os resultados.
Contexto histórico e desenvolvimento regional
A origem de Gavião Peixoto remonta a 1907, com núcleo colonial surgindo próximo ao Rio Jacaré-Guaçu. A ferrovia Douradense contribuiu para o fluxo de pessoas e produção rural.
A construção da usina hidrelétrica fortaleceu a economia, permanecendo em operação com equipamentos importados. A emancipação ocorreu em 1955, marcando a trajetória de expansão agrícola e industrial.
A cidade consolidou-se pela combinação de infraestrutura de transporte, indústria aeronáutica e atrativos turísticos locais, como a gastronomia regional, que moldaram a identidade e contribuíram para o ranking de qualidade de vida.
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