- Diligências realizadas ao longo de sete anos levaram à deflagração da Operação Vétrix, nesta quinta-feira, 21 de maio de 2026, que mira a cúpula do PCC.
- Bilhetes encontrados na caixa de esgoto da cela de Sharlon Praxedes da Silva, o “Maradona”, e Gilmar Pinheiro Feitoza, o “Cigano”, sugerem planos de atentado contra agentes públicos, incluindo o ex-diretor da Penitenciária II de Presidente Venceslau.
- Um dos bilhetes descrevia a execução do ataque e mencionava recebimento direto de Marcola, com ligações diárias entre líderes da facção e os detidos.
- A investigação identificou uma transportadora de Presidente Venceslau, ligada à lavagem de dinheiro da facção, com participação de uma mulher sócia e de um homem sócio, condenados a 11 anos e 3 meses, e 14 anos, respectivamente.
- A operação também apontou conexões com a cúpula do PCC e com atividades de repasses financeiros, incluindo menções a Deolane Bezerra em novas frentes da apuração.
O PCC planejava atentado contra autoridades, segundo investigações em curso após diligências realizadas ao longo de sete anos. A operação Vétrix deflagrada nesta quinta-feira aponta planos da cúpula da facção para atingir agentes públicos, incluindo o ex-diretor da Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo.
Naapenhação de julho de 2019, agentes da unidade prisional encontraram na caixa de esgoto da cela de Sharlon Praxedes da Silva, conhecido como Maradona, e Gilmar Pinheiro Feitoza, o Cigano, diversos manuscritos trocados entre membros da facção. Os bilhetes tratavam de tráfico de drogas no presídio e de laços com a cúpula do PCC, especialmente com Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.
Um dos documentos apreendidos descrevia a execução do plano de ataques a agentes públicos, com menção direta ao então ex-diretor Luiz Fernando Negrão Bizzoto. O material indicava que a operação partiu de mensagens recebidas de “nosso irmão lá da federal” e apontava a atuação de figuras ligadas ao líder da facção, além de indicar endereços de uma transportadora utilizada para subsidiar as ações.
Tratativas, planos e revelações
A CNN Brasil teve acesso aos autos que descrevem o teor dos manuscritos. Entre os relatos, uma mulher identificada como parceira de uma transportadora seria peça-chave na localização de alvos, com contatos diretos a Marcola.
A investigação identificou a Lado a Lado Transportes como empresa de fachada para lavagem de dinheiro da facção. Localizada em Presidente Venceslau, a empresa movimentou capitais elevados e possuía uma frota expressiva, com dezenas de caminhões e semirreboques.
Os sócios da empresa foram condenados pela Justiça de São Paulo, com penas superiores a 11 anos de prisão para a mulher e quase 15 anos para o homem, ambos em regime fechado. As apurações apontaram vínculos diretos com o PCC e com a gestão financeira da organização.
Esquema financeiro e novas frentes
As apurações revelaram uma rede de lavagem de dinheiro que ocultava valores da cúpula do PCC. Em 2019, os bilhetes encontraram indícios de operações internacionais e repasses entre células da facção. A investigação seguiu com três inquéritos para mapear todas as camadas envolvidas.
A operação abriu novos desdobramentos, incluindo a análise de mensagens contidas em um celular apreendido, que apontaram conversas com membros da cúpula do PCC e sugeriram repasses financeiros, além de menções a pessoas ligadas a Deolane Bezerra.
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