- O Wildenstein Plattner Institute lançou um índice completo da obra de Eva Gonzalès, incluindo novas atribuições e pela primeira vez seus cadernos de esboços.
- A publicação desloca a ideia de que Gonzalès foi eclipsada na vida, mostrando que ela já expunha regularmente no Salão de Paris a partir de 1870.
- Uma obra antes considerada perdida, Apples in Basket, foi encontrada em museu norte-americano (Minneapolis Institute of Art) e atribuída corretamente à artista; a assinatura foi descoberta em 2007.
- Um retrato de Madame Georges Haquette, Née Cyrilla de Montgomery Love, foi identificado pelo curador Pierre Ickowicz (Dieppe Museum) em 2024, fortalecendo ligações com o grupo artístico de Dieppe no final dos anos oitenta do século XIX.
- O projeto levanta debates sobre o papel do catálogo raisonné na história da arte e no mercado, destacando a importância de fontes digitais e de materiais inéditos, como cadernos de esboços, para estudá-la.
Eva Gonzalès ganha novo catálogo raisonné que reabre seu legado. O projeto, liderado pelo Wildenstein Plattner Institute (WPI), atualiza a visão sobre a pintora, frequentemente associada ao Impressionismo, mas sem ter mantido esse rótulo em vida.
A atualização reúne obras reatribuídas e, pela primeira vez, cadernos de esboços da artista, agora pertencentes à National Gallery of Art, em Washington. A iniciativa também revisita obras já existentes e identifica novas peças ligadas a Gonzalès.
A publicação recente troca a ideia de que Gonzalès foi ofuscada pela fama de contemporâneas. O WPI pretende mostrar que o catálogo é dinâmico, com obras que aparecem, mudam de atribuição ou retornam à memória institucional ao longo do tempo.
Entre as descobertas, o quadro Apples in Basket aparece como parte da coleção do Minneapolis Institute of Art, antes atribuído a Isidore Verheyden. A assinatura da artista, escondida na composição, foi identificada pela primeira vez em 2007.
Outra obra apresentada é um retrato de Madame Georges Haquette, encontrado pelo curador Pierre Ickowicz no Dieppe Museum em 2024. A peça sugere vínculos entre Gonzalès e o grupo artístico de Dieppe no final dos anos 1880.
A revisão também aponta que Gonzalès participou regularmente do Salon de Paris desde 1870, com uma parcela de rejeições que acabaram virando reconhecimentos em galerias associadas à crítica da época. A obra L’indolence recebeu elogios de críticos.
Ao longo da história, a mãe de Gonzalès faleceu jovem, e o marido organizou uma retrospectiva que não teve sucesso comercial. O retorno da artista à circulação só ganhou impulso com pesquisas mais recentes e com a disponibilização de materiais digitais.
O novo catálogo raisonné levanta questões sobre o papel de tais compilações para a história da arte e para o mercado. A iniciativa destaca a importância de materiais não publicados no passado, incluindo cadernos de esboços, como ferramentas de estudo.
A publicação digital, com acesso a fontes críticas da época, permite traçar ligações entre Gonzalès e críticos influentes, incluindo Émile Zola, que elogiou a obra de 1872, entre outros relatos disponíveis no arquivo digital.
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