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Polícia classifica Deolane Bezerra como integrante do PCC em relatório

Deolane Bezerra é classificada como integrante do PCC em relatório; alvo da Vérnix, suspeita de lavagem de dinheiro ligada a transportadora controlada pela facção

A influenciadora e advogada Deolane Bezerra chega ao DHPP, na região central de São Paulo, nesta quinta-feira (21). — Foto: Leco Viana/The News 2/Estadão Conteúdo
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  • Deolane Bezerra foi classificada como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) pela Polícia Civil de São Paulo e pelo Ministério Público, no âmbito da Operação Vérnix.
  • A investigação aponta que ela integrava a estrutura financeira da facção, atuando como uma espécie de “caixa” e recebendo recursos em contas vinculadas a seu nome.
  • O esquema de lavagem de dinheiro envolvia uma transportadora de cargas controlada pela cúpula do PCC, com repasses a contas de Deolane para dificultar o rastreamento.
  • Valores recebidos pelo PCC teriam sido usados para aquisição de bens de alto valor em nome de empresas ligadas à advogada, como uma Ferrari SF90 Stradale e um Porsche 911 Carrera.
  • Deolane esteve em Roma recentemente; seu nome chegou a constar na Difusão Vermelha da Interpol, mas ela retornou ao Brasil em 20 de maio.

Deolane Bezerra, advogada e influenciadora, foi apresentada pela Polícia Civil de São Paulo e pelo Ministério Público como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC). A afirmação consta de investigação ligada à Operação Vérnix, que apura esquema de lavagem de dinheiro envolvendo uma transportadora controlada pela cúpula da facção criminosa. A prisão ocorreu em Alphaville, Barueri, na quinta-feira (21).

Segundo o inquérito, a transportadora repassava recursos para outras contas com o objetivo de dificultar o rastreamento financeiro. Duas dessas contas estariam em nome de Deolane. O material aponta que a advogada ocuparia posição central na estrutura financeira da facção e atuaria como uma espécie de “caixa” do grupo.

A investigação afirma que valores atribuídos ao PCC eram depositados nas contas ligadas a Deolane e misturados a recursos de outras atividades, retornando ao grupo de origem. Esse fluxo seria parte de operações de “prestação e fechamento de contas” da organização criminosa.

Os investigadores afirmam que as transferências ocorriam em contexto de atividades da facção, e não por serviços advocatícios lícitos. A análise aponta que a estrutura financeira da advogada, associada à projeção pública, poderia conferir aparência de legalidade a recursos ilícitos.

Entre os bens adquiridos pelo esquema, constam uma Ferrari SF90 Stradale, avaliada em cerca de 4,7 milhões de reais, e um Porsche 911 Carrera, adquiridos por meio de empresas associadas à advogada. O dinheiro seria incorporado à economia formal por meio dessas aquisições.

Deolane mantinha relação com Everton de Souza, conhecido como Player, apontado como operador financeiro do esquema. Ele indicava as contas para recebimentos ligados ao fechamento mensal da organização.

A investigação também aponta imagens encontradas em celulares com depósitos para contas ligadas a Deolane e a Everton. Ethos de movimentação financeira são apontados como indícios de ocultação de recursos do PCC.

As autoridades destacam que o vínculo com a transportadora foi apenas o ponto inicial do inquérito. Com o afastamento de sigilos bancário e fiscal, verificou-se cooperação com outras frentes do crime organizado, segundo o delegado responsável pela condução da coletiva.

Parte do material apreendido ao longo dos anos, juntamente com relatórios de movimentação de contas em nome de Deolane, foi cruzada para sustentar a identificação da influenciadora como recebedora de valores do PCC. As movimentações ocorrem, em parte, por meio de depósitos em espécie.

De acordo com a polícia, não foram identificadas prestações de serviço advocatício que justifiquem os repasses às contas da influenciadora e de suas empresas. A investigação mantém o foco na origem e no destino dos recursos, sem conclusão sobre irregularidades específicas em contratos.

Deolane Bezerra esteve ausente do Brasil nas semanas anteriores, passando parte do tempo em Roma, na Itália. O nome chegou a constar em uma lista de difusão da Interpol, mas ela voltou ao país na quarta-feira (20).

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