- Alto Piemonte abriga sete pequenas áreas produtoras de Nebbiolo: Boca, Bramaterra, Faro, Gattinara, Ghemme, Lessona e Sizzano, localizadas aos pés dos Alpes.
- Os Nebbiolos da região têm estilo diferente dos do Langhe, com frutos mais vermelhos e menos taninos, tornando-os mais acessíveis.
- Nos últimos anos houve aquecimento climático que ajudou a elevar a qualidade dos vinhos locais, aproximando-os dos melhores da região.
- Dois nomes do Langhe expandiram para a área: Conterno (Nervi Conterno) e Paitin (Bianchi).
- Entre as referências mencionadas estão Le Pianelle, Bianchi, Travaglini, Antoniotti Odilio e Cantina Produttori Nebbiolo di Carema, com lançamentos e safras recentes.
Alto Piemonte abriga o que alguns chamam de “outro Nebbiolo” de Nápoles aos Alpes. Localizado ao norte de Piemonte, esse conjunto de sete áreas produz vinhos ainda pouco conhecidos fora da região, contrariando o peso de Barolo e Barbaresco.
Historicamente, Alto Piemonte já foi destino principal para Nebbiolo, mas grande parte das vinhas foi arrancada quando a demanda se concentrou nas referências do sul. Hoje, regiões como Boca, Bramaterra, Gattinara, Ghemme, Lessona e Sizzano mantêm vinhedos de menor escala, porém com identidade própria.
Segundo Mattia Antoniotti, da Antoniotti Odilio, Bramaterra, em especial, testemunhou a perda de vinhedos nas últimas cinco décadas. Os Nebbiolos da área mostram estilo distinto: frutos mais vermelhos e menos taninos, resultando em tintos mais acessíveis, com caráter rústico em alguns casos.
Alto Piemonte versus Langhe
Situado na fronteira norte de Piemonte, o Nebbiolo de Alto Piemonte tende a expressar frutas mais frescas e menos estrutura tânica em comparação aos colegas do Langhe. Condições climáticas mais frias, que amargaram há alguns anos, passam a permitir vinhos mais alinhados ao conjunto regional.
Para enfatizar a mudança, duas grandes casas do Langhe expandiram na região: Conterno com Nervi Conterno, e Paitin com Bianchi. A depender do produtor, a linha entre Alto Piemonte e Langhe fica cada vez menos marcada, sobretudo em safras recentes.
Cinco opções de vinho para conhecer a partir de Alto Piemonte
- Le Pianelle, Al Posto dei Fiori Rosato, Coste della Sesia 2024: rosé com toque de limão, cereja e ervas silvestres, mineral e levemente salino no paladar.
- Bianchi Monte Nebbiolo, Colline Novaresi 2024: Nebbiolo fresco com traço de Vespolina, vinificação sem carvalho para manter o perfil varietal.
- Travaglini Gattinara 2022: Nebbiolo com estrutura marcada pela safra quente e seca, refletindo o caráter tenso e potente da região.
- Antoniotti Odilio Bramaterra 2021: vinhedos em solo vulcânico, produção familiar em sete gerações, tradição e terroir presentes no vinho.
- Cantina Produttori Nebbiolo di Carema Riserva 2021: cooperativa com mais de 100 membros, vinhos de vinhas elevadas que destacam a expressão clássico do Nebbiolo de Carema.
Observa-se ainda o fortalecimento de projetos locais, com vinhos que apostam em expressão de Nebbiolo sem recorrer a madeira pesada, priorizando fruta, acidez e elegância. A cena de Alto Piemonte continua em expansão, ganhando espaço entre leitores e apreciadores que buscam perfis diferentes do Nebbiolo italiano.
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