- Entre 2022 e 2025, o número de programas de cuidados paliativos no Brasil passou de 234 para 423, um aumento de 88,8%.
- Cerca de 65% dos serviços não atendem aos critérios mínimos para serem considerados especializados, indicando gap entre oferta e qualidade.
- A distribuição regional é desigual: Sudeste possui aproximadamente 40% dos programas, enquanto o Norte tem apenas 3%.
- A proporção por habitante ainda fica abaixo das referências internacionais, que recomendam pelo menos dois serviços para cada 100 mil pessoas.
- Mesmo em unidades de alta complexidade em oncologia, os requisitos mínimos nem sempre são atendidos, levando pacientes e familiares a buscar medidas judiciais para garantir atendimento adequado.
O Brasil ampliou de forma significativa a oferta de cuidados paliativos entre 2022 e 2025, passando de 234 para 423 programas. O crescimento chega a 88,8%, segundo o Atlas Nacional de Cuidados Paliativos.
O levantamento, elaborado pela ANCP, apresentado nesta semana em São Paulo, aponta avanço expressivo da rede. No entanto, alerta: cerca de 65% dos serviços não cumprem critérios mínimos de especialização.
Desigualdades regionais
A concentração de programas é assimétrica: Sudeste tem cerca de 40% das unidades, enquanto o Norte soma apenas 3%. A distribuição desigual afeta o acesso ao atendimento adequado, conforme o Atlas.
Qualidade ainda é desafio
Além da oferta, a qualidade é questionada. Mesmo unidades com alta complexidade em oncologia mostram inconsistência nos requisitos mínimos, abrindo espaço para dúvidas sobre a efetividade do cuidado.
Pacientes e familiares costumam recorrer a ações judiciais para assegurar atendimento adequado, sinalizando falhas na garantia de qualidade, não apenas de acesso.
Caminhos e necessidades
A discussão não pode ficar apenas na ampliação de números. Demandam-se critérios de funcionamento, formação profissional e fiscalização, principalmente em home care, o atendimento domiciliar.
O tema envolve dignidade: como o sistema trata quem mais precisa. Sem melhorias estruturais, cresce o risco de transformar avanço em mera estatística, sem impacto real no cuidado.
Juliana Rodrigues, advogada especialista em direito à saúde, reforça a necessidade de alinhar crescimento com qualidade e responsabilidade na prestação de cuidados paliativos.
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