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Oferta de cuidados paliativos no Brasil cresce, mas com qualidade variável

Expansão dos cuidados paliativos avança, mas 65% não atendem aos critérios mínimos, evidenciando desigualdades regionais e falhas de qualidade

Os cuidados paliativos exigem uma abordagem estruturada. Não se resumem ao controle de sintomas. Envolvem equipe interdisciplinar, acompanhamento contínuo, suporte emocional e respeito às decisões do paciente. (Foto: Steven HWG/Unsplash)
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  • Entre 2022 e 2025, o número de programas de cuidados paliativos no Brasil passou de 234 para 423, um aumento de 88,8%.
  • Cerca de 65% dos serviços não atendem aos critérios mínimos para serem considerados especializados, indicando gap entre oferta e qualidade.
  • A distribuição regional é desigual: Sudeste possui aproximadamente 40% dos programas, enquanto o Norte tem apenas 3%.
  • A proporção por habitante ainda fica abaixo das referências internacionais, que recomendam pelo menos dois serviços para cada 100 mil pessoas.
  • Mesmo em unidades de alta complexidade em oncologia, os requisitos mínimos nem sempre são atendidos, levando pacientes e familiares a buscar medidas judiciais para garantir atendimento adequado.

O Brasil ampliou de forma significativa a oferta de cuidados paliativos entre 2022 e 2025, passando de 234 para 423 programas. O crescimento chega a 88,8%, segundo o Atlas Nacional de Cuidados Paliativos.

O levantamento, elaborado pela ANCP, apresentado nesta semana em São Paulo, aponta avanço expressivo da rede. No entanto, alerta: cerca de 65% dos serviços não cumprem critérios mínimos de especialização.

Desigualdades regionais

A concentração de programas é assimétrica: Sudeste tem cerca de 40% das unidades, enquanto o Norte soma apenas 3%. A distribuição desigual afeta o acesso ao atendimento adequado, conforme o Atlas.

Qualidade ainda é desafio

Além da oferta, a qualidade é questionada. Mesmo unidades com alta complexidade em oncologia mostram inconsistência nos requisitos mínimos, abrindo espaço para dúvidas sobre a efetividade do cuidado.

Pacientes e familiares costumam recorrer a ações judiciais para assegurar atendimento adequado, sinalizando falhas na garantia de qualidade, não apenas de acesso.

Caminhos e necessidades

A discussão não pode ficar apenas na ampliação de números. Demandam-se critérios de funcionamento, formação profissional e fiscalização, principalmente em home care, o atendimento domiciliar.

O tema envolve dignidade: como o sistema trata quem mais precisa. Sem melhorias estruturais, cresce o risco de transformar avanço em mera estatística, sem impacto real no cuidado.

Juliana Rodrigues, advogada especialista em direito à saúde, reforça a necessidade de alinhar crescimento com qualidade e responsabilidade na prestação de cuidados paliativos.

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