- Gabriella Pomare, advogada de família, destaca o “divórcio silencioso” como um sinal de ruptura quando o casal já não busca discutir ou conflitar.
- A carga mental desigual e a tarefa de cuidar da casa recaem, muitas vezes, sobre a mãe, gerando tensões e estresse que distorcem a relação.
- O afastamento acontece mesmo sem briga explícita; a comunicação falha e a sensação de conexão se esvai, levando a uma possível separação.
- Em muitos casos, a parte que não espera a separação fica em choque e demora a responder, dificultando o andamento do processo.
- A especialista sugere conversar diariamente, manter encontros sem filhos e discutir valores e expectativas desde o começo para evitar surpresas futuras.
Um advogado de família aponta sinais de ruptura de relacionamento e revela estratégias para lidar com o tema sem recorrer imediatamente à separação. Em mais de dez anos na área, Gabriella Pomare identificou gatilhos comuns de “divórcio silencioso” e como eles se manifestam no cotidiano.
Segundo Pomare, a desconnexão entre parceiros é um dos principais indicadores. Mesmo morando sob o mesmo teto, muitos vivem sem comunicação real: cada um com a própria rotina, sem diálogo sobre sentimentos ou expectativas. A sensação é de separar-se já, mas permanecer por questões práticas.
Outro ponto frequente é a culpa social em relação aos filhos. Muitas pessoas acreditam que ficar junto por causa das crianças é essencial, mas a advogada discorda: crianças sofrem quando veem pouco afeto e acabam com uma visão distorcida de família. O equilíbrio é o que mais pesa.
A percepção de desequilíbrio na divisão de tarefas também aparece com frequência. A carga mental, o planejamento e a responsabilidade diária recaem muitas vezes sobre uma única pessoa, o que gera desgaste emocional e tensão no lar, segundo a pensionista da área.
Quando a ruptura ocorre, normalmente uma das partes fica surpreendida, enquanto a outra já planejava a separação há anos. Esse desalinho pode atrasar decisões legais, principalmente para quem ainda não aceitou o término, gerando sofrimento adicional do outro lado.
Para Pomare, não se trata apenas de resolver a discórdia, mas de permitir um processo de cura. O tempo necessário para lidar com a dor é parte essencial da transição, evitando decisões impulsivas que agravam a situação na Justiça.
Em relação à convivência, a especialista recomenda questionar o que os filhos realmente precisam e quais atitudes beneficiam o desenvolvimento deles a longo prazo. Em muitos casos, evitar disputas legais depende de reconhecer mudanças de valores e prioridades antes de qualquer mudança de status conjugal.
Gabriella Pomare atua como advogada de família e apresenta o podcast Before it Breaks, oferecendo orientação prática para casais em crise.
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