- Peças sacras da Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores serão devolvidas no dia 23 de maio, em cerimônia na Rua do Ouvidor, no Centro do Rio.
- Entre os itens recuperados estão um atril litúrgico de prata do século XIX e um porta-paz confeccionado em prata.
- Os objetos sumiram há décadas, durante furtos entre as décadas de setenta e noventa, e muitos foram parar no mercado de antiguidades.
- A devolução reforça a igreja como exemplo nacional de recuperação do patrimônio cultural, resultado de pesquisa histórica, documentação detalhada e monitoramento do acervo.
- O retorno contou com apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e da Polícia Federal; o caso estimulou ações de preservação do patrimônio religioso por dioceses e irmandades.
A Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores, no Centro do Rio de Janeiro, receberá de volta peças sacras devolvidas após décadas de extrição. A cerimônia de devolução está marcada para 23 de maio, na própria igreja localizada na Rua do Ouvidor. As peças retornam ao acervo da irmandade e às celebrações litúrgicas.
Entre os objetos recuperados está um atril litúrgico de prata do século XIX e um raro porta-paz também em prata. Os itens foram encontrados após longo processo de pesquisa, documentação e monitoramento do acervo da igreja.
As peças haviam desaparecido durante décadas marcadas por furtos e dispersões de bens sacros em igrejas históricas brasileiras, principalmente entre 1970 e 1990. Muitas peças foram parar no mercado de antiguidades, apesar de a legislação impedir a venda de bens de igrejas tombadas.
A recuperação não dependeu de acaso. A Câmara da Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores reuniu catálogos de leilões do estado de São Paulo para identificar objetos que pertenciam ao templo, fortalecendo a função de preservação do patrimônio.
O caso foi levado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e à Polícia Federal, que conduziram os procedimentos de restituição. A igreja detém um conjunto documental amplo, com inventários e registros desde a década de 1940.
Especialistas apontam que o acervo passou a integrar levantamentos nacionais de bens móveis no século XXI, o que ajudou a vincular itens ao local de origem, mesmo após décadas de dispersão. A rede de informações foi essencial para o retorno.
Claudio André de Castro, provedor da irmandade, atua monitorando leilões e vendas virtuais para detectar itens suspeitos ligados ao acervo. A função exige domínio histórico, leitura iconográfica e avaliação de marcas de procedência.
O episódio impulsionou novas ações de preservação no âmbito religioso, com dioceses e irmandades fortalecendo inventários e documentação histórica. Autoridades destacam a importância de cooperação entre instituições, pesquisadores e comunidades.
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