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Produtividade a qualquer custo prejudica saúde mental de mulheres

Mulheres respondem pela maioria dos afastamentos por saúde mental no Brasil; pausa e desconexão ganham espaço no debate sobre burnout e produtividade

A jornalista Izabella Camargo, 45, recebeu diagnóstico de burnout em 2018; hoje ela diz saber a importância das pausas
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  • No Brasil, mulheres representam 63% dos 546,2 mil afastados do trabalho por problemas de saúde mental no ano passado.
  • A notícia associa a cultura da produtividade a um custo elevado para a saúde mental feminina, com destaque para o burnout entre mulheres.
  • Dados apontam que mulheres dedicam, em média, 21,3 horas semanais ao trabalho doméstico, quase o dobro do que os homens (11,7 horas).
  • Especialistas destacam que a sobrecarga, aliada às responsabilidades domésticas, aumenta o risco de esgotamento emocional, incluindo culpa e sensação de insuficiência.
  • Médica e pesquisadoras defendem pausas, desconexão e iniciativas como o movimento “EPI’s da Saúde Mental” para promover flexibilidade de horário e evitar normalizar o estresse crônico.

A cultura da produtividade a todo custo tem impactos diretos na saúde mental de mulheres no Brasil. Em reportagem sobre o tema, uma jornalista de 45 anos passou por um apagão ao vivo em 2018 durante a previsão do tempo na TV Globo. O quadro levou ao diagnóstico de estresse crônico após avaliação de seis médicos, incluindo um cardiologista.

O episódio ocorreu em meio a uma rotina de trabalho sob metas, com relatos de excesso de carga para obter reconhecimento igual ao de colegas homens. A experiência ilustra a pressão vivida por mulheres no mercado de trabalho e a relação com o esgotamento profissional. O diagnóstico foi confirmatório para burnout após o episódio de colapso.

Dados oficiais apontam vulnerabilidade maior entre mulheres no Brasil. No ano anterior, 546,2 mil afastamentos por saúde mental ocorreram, com mulheres respondendo por 63% dos casos. Médicos destacam que essa diferença está ligada à sobrecarga de tarefas domésticas acumuladas lado a lado com as demandas profissionais.

Contexto e dados

Dulce Brito, gerente médica de bem-estar do Einstein Hospital, observa aumento de casos entre mulheres. Ela cita culpa como queixa comum, com sensação de insuficiência ao perceber cansaço. Profissionais da área ressaltam que a pressão de conciliar trabalho, casa e cuidados familiares intensifica o desgaste.

Especialistas apontam que redes sociais ampliam a sensação de sobrecarga. Pesquisadores e pesquisadores associam a ideia de perfeição feminina a uma cobrança constante por desempenho no trabalho e em casa. A partir dessa leitura, o debate sobre pausas e desconexão ganha espaço no Brasil.

Perspectivas e caminhos

Especialistas defendem a adoção de medidas de proteção à saúde mental no ambiente corporativo, como flexibilidade de horários e direito à desconexão. Jovens profissionais do sexo feminino também apresentam sinais de estresse relacionado a altas exigências, segundo observações médicas.

A pesquisadora Marta Bergamin destaca o papel da sociedade na construção de expectativas. Ela ressalta que redes sociais fortalecem a imagem de uma “supermulher” e reforçam padrões de beleza e desempenho que pesam sobre as mulheres.

Izabella Camargo, que hoje promove ações de saúde mental, defende a pausa como aspecto central da prevenção. Ela aponta iniciativas de proteção individual e organizacional para reduzir o impacto da pressão no dia a dia profissional.

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