- No Brasil, mulheres representam 63% dos 546,2 mil afastados do trabalho por problemas de saúde mental no ano passado.
- A notícia associa a cultura da produtividade a um custo elevado para a saúde mental feminina, com destaque para o burnout entre mulheres.
- Dados apontam que mulheres dedicam, em média, 21,3 horas semanais ao trabalho doméstico, quase o dobro do que os homens (11,7 horas).
- Especialistas destacam que a sobrecarga, aliada às responsabilidades domésticas, aumenta o risco de esgotamento emocional, incluindo culpa e sensação de insuficiência.
- Médica e pesquisadoras defendem pausas, desconexão e iniciativas como o movimento “EPI’s da Saúde Mental” para promover flexibilidade de horário e evitar normalizar o estresse crônico.
A cultura da produtividade a todo custo tem impactos diretos na saúde mental de mulheres no Brasil. Em reportagem sobre o tema, uma jornalista de 45 anos passou por um apagão ao vivo em 2018 durante a previsão do tempo na TV Globo. O quadro levou ao diagnóstico de estresse crônico após avaliação de seis médicos, incluindo um cardiologista.
O episódio ocorreu em meio a uma rotina de trabalho sob metas, com relatos de excesso de carga para obter reconhecimento igual ao de colegas homens. A experiência ilustra a pressão vivida por mulheres no mercado de trabalho e a relação com o esgotamento profissional. O diagnóstico foi confirmatório para burnout após o episódio de colapso.
Dados oficiais apontam vulnerabilidade maior entre mulheres no Brasil. No ano anterior, 546,2 mil afastamentos por saúde mental ocorreram, com mulheres respondendo por 63% dos casos. Médicos destacam que essa diferença está ligada à sobrecarga de tarefas domésticas acumuladas lado a lado com as demandas profissionais.
Contexto e dados
Dulce Brito, gerente médica de bem-estar do Einstein Hospital, observa aumento de casos entre mulheres. Ela cita culpa como queixa comum, com sensação de insuficiência ao perceber cansaço. Profissionais da área ressaltam que a pressão de conciliar trabalho, casa e cuidados familiares intensifica o desgaste.
Especialistas apontam que redes sociais ampliam a sensação de sobrecarga. Pesquisadores e pesquisadores associam a ideia de perfeição feminina a uma cobrança constante por desempenho no trabalho e em casa. A partir dessa leitura, o debate sobre pausas e desconexão ganha espaço no Brasil.
Perspectivas e caminhos
Especialistas defendem a adoção de medidas de proteção à saúde mental no ambiente corporativo, como flexibilidade de horários e direito à desconexão. Jovens profissionais do sexo feminino também apresentam sinais de estresse relacionado a altas exigências, segundo observações médicas.
A pesquisadora Marta Bergamin destaca o papel da sociedade na construção de expectativas. Ela ressalta que redes sociais fortalecem a imagem de uma “supermulher” e reforçam padrões de beleza e desempenho que pesam sobre as mulheres.
Izabella Camargo, que hoje promove ações de saúde mental, defende a pausa como aspecto central da prevenção. Ela aponta iniciativas de proteção individual e organizacional para reduzir o impacto da pressão no dia a dia profissional.
Entre na conversa da comunidade