- Gerson Palermo, conhecido como “Pigmeu” e “Germano”, foi preso em Santa Cruz de La Sierra, Bolívia, nesta terça-feira (26), encerrando uma das fugas mais longas associadas ao crime organizado brasileiro.
- Apontado como uma das lideranças do PCC em Mato Grosso, acumula condenações que somam nearly 126 anos de prisão por tráfico internacional, sequestro e outros crimes.
- Em agosto de 2000, participou do seqüestro de um Boeing 727 da Vasp, obrigando o piloto a pousar em Porecatu (paraná) e levando ao roubo de cerca de R$ 5,5 milhões.
- Documentos do antigo Serviço Nacional de Informações indicam apoio de membros das forças de segurança, com relatos de encontros entre Palermo e jornalistas no Paraguai e de cobertura para operações.
- A fuga de 2020, autorizada durante a pandemia por um juiz da época, levou à aposentadoria compulsória do magistrado e, após monitoramento, a prisão ocorreu com apoio da Polícia Federal e forças bolivianas.
Gerson Palermo, conhecido pelos apelidos Pigmeu e Germano, foi preso nesta terça-feira em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. A operação encerra uma das fugas mais longas ligadas ao crime organizado brasileiro. Palermo era apontado como uma das lideranças do PCC no Mato Grosso e soma quase 126 anos de prisão, segundo as autoridades.
A trajetória criminosa do sheik do crime organizado atravessa mais de quatro décadas. Além de tráfico internacional de drogas, ele figura envolvido no sequestro de aeronave ocorrido em agosto de 2000, quando o Boeing 727 da Vasp foi tomado após decolar de Foz do Iguaçu com destino a Curitiba. O grupo desviou o avião para Porecatu, no Paraná, e roubou cerca de R$ 5,5 milhões em malotes do Banco do Brasil. Palermo recebeu 66 anos de prisão nesse caso.
A atuação de Palermo já havia sido alvo de investigações federais desde os anos 1980. Em 2017, a PF detalhou participação dele em uma organização que transportava cocaína da Bolívia para o Brasil, com chegadas a Corumbá, no Mato Grosso do Sul, e distribuição para vários estados. A operação All In resultou na apreensão de mais de 810 quilos de entorpecentes.
Ligações com segurança pública
Documentos do antigo SNI, hoje Memórias Reveladas, sugerem apoio de agentes de segurança ao criminoso desde os anos 1980. Registros apontam expulsões de sargentos da Força Aérea Brasileira por suposta cobertura a operações ligadas a Palermo. Em julho de 1988, havia indícios de vida na fronteira entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, com encontros entre Palermo e jornalistas no Paraguai.
Fuga durante a pandemia e desfecho
Palermo deixou o presídio federal de Campo Grande em abril de 2020, com autorização de um desembargador durante o plantão da pandemia. A defesa citou problemas de saúde, mas o CNJ apontou falta de laudos e rapidez no julgamento. Dias após a soltura, a tornozeleira foi rompida e ele fugiu, disparando investigações e levando à aposentadoria compulsória do magistrado.
O paradeiro do traficante começou a se esclarecer apenas em 2025, quando a filha dele denunciou ter sido sequestrada em Campo Grande, em contexto de disputas relacionadas a dívidas de narcotráfico. A operação que levou à localização final de Palermo envolveu equipes da PF, do Garras e forças bolivianas, resultando na detenção nesta terça-feira em Santa Cruz.
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