- Em mil quinhentos vinte e oito, um homem marroquino sobreviveu ao naufrágio próximo de Galveston, entre poucos remanescentes da expedição espanhola.
- Ao longo de oito anos, Estevanico tornou-se líder do grupo e percorreu cerca de mil duzentos e noventa milhas para o norte, do litoral aos interiores, possivelmente a primeira travessia registrada da América do Norte.
- Capturado por povos nativos, aprendeu línguas locais e atuou como curandeiro, conduzindo os espanhóis remanescentes por rotas desconhecidas.
- Guiou expedições para o norte de Novo México e Arizona, tornando-se o primeiro não nativo a entrar nesses territórios enquanto buscavam as lendárias Sete Cidades de Ouro.
- Seu legado ajudou a moldar rotas e conhecimento geográfico que embasaram a expansão espanhola no sudoeste, hoje ressaltado por museus e monumentos nos Estados Unidos.
Este artigo reconstitui a trajetória de Estevanico, escravo marroquino que, há quase cinco séculos, foi um dos primeiros exploradores do território que viria a se tornar os Estados Unidos. Sua viagem começou em 1527 e terminou influenciando a expansão espanhola no Sudoeste.
Em 1528, um grupo de espanhóis naufraga no Golfo do México e chega à costa do que hoje é o Texas. Destes 600 homens, apenas quatro sobrevivem: três capitães e Estevanico, o único escravizado entre eles. A expedição pretendia conquistar a Flórida e a litoral do Golfo.
Durante oito anos, Estevanico assumiu a liderança informal do grupo. Caminhou milhares de quilômetros desde a Flórida até a costa do Pacífico mexicano, possivelmente atravessando o que hoje é o território do Arizona e do Novo México. Suas jornadas abriram rotas e conhecimentos geográficos para as futuras incursões espanholas.
Odisséia e papéis
Conhecido como Estevanico, Esteban de Dorantes ou Estevanico, ele é considerado um dos primeiros africanos, falantes de árabe e muçulmanos a pisarem o que hoje é território dos EUA. Entre 1528 e 1536 percorreu cerca de 3.620 km até a costa do Pacífico mexicano, sendo apontado como o primeiro cruzamento registrado da América do Norte.
Durante o trajeto, foi capturado por povos nativos, aprendeu seus idiomas e atuou como curandeiro. Em seguida, seguiu com os outros náufragos para o México e depois continuou a explorar o norte, tornando-se pioneiro na entrada de zonas que hoje correspondem ao Novo México e ao Arizona.
Parte essencial da expedição Narváez, Estevanico guiou expedições rumo às famosas Cidades de Ouro. Em 1539, foi líder de uma comitiva enviada a regiões correspondentes ao arido deserto do deserto norte, na busca por cidades lendárias. Sua morte ocorreu durante os contatos com povos Zuni.
Legado histórico
Historiadores destacam que Estevanico ajudou a moldar a imaginação geográfica do Império espanhol na América do Norte, abrindo rotas, territórios e conhecimentos que impulsionaram a expansão para o Texas, Novo México e Arizona. Sua figura é cada vez mais reconhecida em museus, rotas guiadas e monumentos pelo país.
Estátuas e exposições recentes celebram o explorador. Em 2016, foi erguida uma estátua dele no Capitólio do Texas, em Austin, reconhecendo-o como o primeiro africano a pisar o território hoje conhecido como Texas. Museus do estado e de Santa Fé ressaltam seu papel na história da região.
Esse reconhecimento busca situar Estevanico como parte da narrativa inicial dos Estados Unidos, ainda que sua história não faça parte do mito fundador tradicional. Especialistas enfatizam que sua trajetória mostra um caminho entre culturas, línguas e práticas religiosas que moldaram o contato europeu com povos nativos.
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