- As duas maiores facções do Brasil, Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital, nasceram em estados diferentes: CV no Rio de Janeiro na década de setenta e PCC em São Paulo em 1993.
- Ambas foram criadas dentro do sistema prisional, com união de detentos políticos e presos comuns em Ilha Grande, usando a rota de cocaína da Colômbia para dominar territórios no Rio.
- Nos anos noventa e dois mil, as operações se expandiram para além das prisões, aumentando o poder de fogo e a atuação em várias cidades e estados, inclusive com tráfico de armas.
- O PCC teve início durante um jogo de futebol entre presos na Casa de Custódia de Taubaté, em 1993, quando oito presos da capital formaram o Comando Capital; o Massacre do Carandiru é citado como símbolo desse início.
- Hoje o PCC teria cerca de quarenta e dois mil membros, com faturamento anual próximo de um bilhão de reais e atuação em vinte e três países; o CV é descrito como uma rede de franquias com presença significativa no país.
Desde as origens no sistema carcerário, duas das maiores facções criminosas do Brasil cresceram para além das prisões. O Comando Vermelho (CV) teve sua raiz no Rio de Janeiro na década de 1970, enquanto o Primeiro Comando da Capital (PCC) nasceu em São Paulo na década de 1990. Hoje, ambas somam milhares de integrantes distribuídos pelo país.
A história do CV está ligada à união de detentos políticos e comuns durante a ditadura militar, no presídio de Ilha Grande. A convivência alimentou disputas e, com o avanço do tráfico, a facção passou a dominar territórios no Rio e a ampliar operações para além das prisões. Com o tempo, ganhou força com armas e estrutura de comando rígida.
A expansão do CV atingiu diversas regiões do Brasil, inclusive o Norte, o Centro-Oeste e o Sudeste, com rotas de cocaína vindas da Colômbia. Segundo estudos, a facção consolidou-se como uma rede que atua em várias esferas do crime organizado, mantendo ligações entre morros e operações interestaduais.
Origem e formação do PCC
No interior de São Paulo, o PCC teve início em Taubaté, em 1993, durante um campeonato interno de futebol na Casa de Custódia. O grupo nasceu com oito presos nascidos na capital paulista, com o objetivo de se proteger e criar uma resistência sistêmica. A vitória esportiva deu continuidade ao movimento.
Após a participação nas ações, os membros passaram a recrutar milhares de integrantes e formaram uma base de disciplina. A organização também decidiu banir crimes praticados contra presos e reduzir homicídios considerados injustos, fortalecendo uma rede de alianças para enfrentar adversários detentos, policiais e carcereiros.
O Massacre do Carandiru é citado como fator catalisador do PCC, ao ampliar o desejo de resistência frente ao Estado. A partir dali, a facção ampliou a atuação para além das prisões, buscando consistência estrutural e expansão nacional.
Dados e alcance atuais
O PCC hoje é reconhecido como a maior facção do Brasil, com aproximadamente 42 mil membros, segundo dados de investigações. A estimativa de faturamento anual fica em torno de 1 bilhão de reais, com atuação destacada no tráfico internacional de drogas. A organização opera em 23 países, com presença em cinco continentes.
O CV também manteve relevância, mantendo estruturas de comando e redes de atuação que se estendem por quase todo o território. Pesquisas destacam que o grupo utiliza um modelo de franquias, com donos de comunidades que compartilham regras, ampliando o alcance pelo país.
Entre na conversa da comunidade