- Kaylane de Oliveira Duarte Pereira, 18 anos, afirmou ter sido agredida pelo ex-vereador Jairinho quando tinha entre 3 e 7 anos, durante o relacionamento dele com a mãe dela.
- A testemunha descreveu episódios de agressão na piscina, com afirmações de afundamento e socos, e contou que Jairinho a orientava a não contar para a mãe.
- Kaylane disse que não morava na casa do casal, mas passava tempo com eles e chegou a ser afastada de momentos da família para evitar que relatasse as abusos.
- A jovem também relatou sentimentos de medo ao ver o carro de Jairinho chegar e disse que, após o fim do relacionamento, passou a se culpar por não ter denunciado antes.
- O depoimento ocorreu no segundo Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, à frente do julgamento de Jairinho, com a presença da mãe de Henry e de outras testemunhas, e foi prestado sem a presença do réu, a pedido da testemunha.
Kaylane de Oliveira Duarte Pereira, 18, relatou nesta quinta-feira ao 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro ter sido agredida pelo ex-vereador Jairinho, réu no caso Henry Borel. O depoimento ocorreu no quarto dia do julgamento.
A estudante de turismo disse que conhecia Jairinho desde aos 3 anos, quando a mãe dela começou a namorar o então vereador. Os relatos de agressão ficaram registrados entre o meio e o fim desse período, quando Kaylane ainda era criança.
Ela descreveu episódios de agressão física, incluindo socos na cabeça e torções de braço, que teriam se repetido até aproximadamente os 7 anos. Kaylane afirmou que, na piscina próxima à garagem do local, Jairinho a afogava com o pé na barriga até tocar o chão.
Depoimento de Kaylane
A jovem afirmou que não morou na casa do casal, mas passava períodos com eles e, em algumas ocasiões, sozinha com Jairinho. Ela negou qualquer abuso sexual, mas relatou afundamento na piscina de um local próximo à garagem.
Kaylane relatou que Jairinho a orientava a não contar para a mãe a violência, para não deixá-la triste. Em uma ocasião, quando machucou o braço, ele pediu para atribuir os ferimentos às aulas de jiu-jitsu.
Ela mencionou ainda comentários do réu de que a atrapalhava a vida da mãe e do casal, chegando a dizer que seria melhor se ela não existisse. A testemunha disse que, ao ver o carro dele chegando, sentia medo e chegava a vomitar.
Contexto e desdobramentos
Natasha Machado, mãe de Kaylane, confirmou a separação do pai da menina seis meses após o nascimento e afirmou não reconhecer marcas de lesões na filha. Ela disse que, desde que tomou conhecimento das agressões, não mantém contato com Jairinho.
Natasha relatou que, ao conhecer o caso, decidiu junto com a filha procurar Leniel Borel, pai de Henry, para colaborar com as investigações. O depoimento de Kaylane ocorre no dia em que também é esperada a oitiva de Débora Mello Saraiva, outra ex-namorada de Jairinho.
O julgamento, que envolve 27 testemunhas de acusação e defesa, segue sob a presidência de um corpo de jurados de sete membros. Jairinho responde por homicídio qualificado, tortura contra criança, fraude processual e coação no curso do processo. Monique Medeiros, mãe de Henry, enfrenta acusações correlatas.
Entre na conversa da comunidade