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Mecânico cego explica trabalho na oficina: ouvir e sentir para entender o motor

Mecânico cego mostra rotina de oficina e inspira pessoas com deficiência a buscar oportunidades, evidenciando adaptação, talento e empreendedorismo

Mecânico cego viraliza ao mostrar trabalho em oficina
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  • Patrick Liasch Marçal, 34 anos, ficou cego dos dois olhos na infância após descolamento de retina e, hoje, tem a própria oficina.
  • Vídeos dele consertando carros e motos viralizaram, com uma postagem já passando de 3 milhões de visualizações, mostrando que pessoas com deficiência visual também atuam na mecânica.
  • Perdeu a visão aos 9 anos após acidente doméstico; passou por cirurgia de emergência, que não reverteu a cegueira total, e enfrentou preconceitos ao longo da vida.
  • Aprendeu mecânica após despertar o interesse na família; fez curso mesmo sem materiais adaptados e abriu o negócio no fim de 2023, na garagem da casa do pai.
  • Trabalha sozinho, com a esposa filmando e editando os vídeos; atende injeção eletrônica e veículos automáticos, e planeja uma oficina estruturada para sustentar o filho.

Patrick Liasch Marçal, 34 anos, perdeu a visão dos dois olhos na infância após um descolamento de retina. Hoje ele administra a própria oficina e mostra que a prática pode ir além da visão tradicional.

Natural de Cornélio Procópio, no Paraná, Patrick ficou cego aos 9 anos após um acidente doméstico que provocou o descolamento da retina do olho esquerdo. O olho direito acabou afetado por complicações de uma segunda cirurgia, levando à cegueira total.

Aos 12 graus de miopia na época, ele já enfrentava dificuldades de visão desde a infância. Mesmo com o risco de perder o globo ocular, os médicos não chegaram a retirar o olho, e Patrick manteve a esperança de um dia enxergar novamente.

Depois de aprender Braille e enfrentar o preconceito, Patrick encontrou no universo da mecânica uma nova motivação. A curiosidade surgiu pela influência da família e por experiências com carros na casa do pai e no convívio com o sogro, que o aproximaram da prática manual.

Em 2020, durante a pandemia, ele percebeu que a mecânica poderia ser uma profissão viável. Começou ajudando o pai e depois se inscreveu em um curso de mecânica, que enfrentou a barreira de materiais adaptados para pessoas com deficiência visual, recebendo apoio de um professor que aceitou adaptar o ensino à sua percepção de funcionamento.

No final de 2023, Patrick abriu a própria oficina. O espaço funciona na garagem da casa dele, com atendimento a veículos automáticos e injeção eletrônica. Mesmo trabalhando sozinho, ele contrata um ajudante para organizar fios e facilitar tarefas mais complexas.

A esposa atua como câmera e editora dos vídeos que mostram o dia a dia da oficina, contribuindo para a visibilidade do trabalho. As gravações impulsionaram as redes sociais dele, levando mensagens de incentivo e motivação para pessoas com deficiência visual.

Ao falar sobre o futuro, Patrick afirmou que pretende ampliar a estrutura da oficina para ampliar o leque de serviços. O objetivo é manter a atuação profissional estável e criar um legado para o filho de três anos, mantendo o foco em resiliência e qualidade do trabalho.

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