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Povos tradicionais criam aliança para defender a Mata Atlântica

Aliança de povos tradicionais lança movimento para defender a Mata Atlântica e ampliar direitos territoriais diante de ameaças

Lançamento da Aliança dos Povos e Comunidades Tradicionais Guardiões da Mata Atlântica — Foto: Vinícius Carvalho/OTSS-Fiocruz
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  • Em vinte e sete de janeiro, representantes de povos tradicionais lançaram a Aliança dos Povos e Comunidades Tradicionais Guardiões da Mata Atlântica, em São Paulo, durante ato na Faculdade de Direito da USP.
  • A coalizão reúne indígenas, caiçaras, quilombolas, caboclos, marisqueiras, povos de terreiro e pescadores para defender a Mata Atlântica e garantir direitos territoriais dessas comunidades.
  • O movimento alerta para ameaças como mineração, desmatamento, turismo de resorts, uso de agrotóxicos e exploração de petróleo e minerais críticos.
  • Dados apontam que restam cerca de 12,4% da vegetação original do bioma, que já cobria 15% do território brasileiro em 17 estados, ainda abrigando mais de vinte mil espécies de plantas e mais de dois mil vertebrados.
  • A iniciativa busca ampliar políticas públicas e diálogo com o governo, reforçando a importância da Mata Atlântica para a vida das comunidades e para o abastecimento de água de aproximadamente 145 milhões de brasileiros.

A Aliança dos Povos e Comunidades Tradicionais Guardiões da Mata Atlântica foi lançada nesta quarta-feira (27) em São Paulo. O ato ocorreu na Faculdade de Direito da USP, no Dia Nacional da Mata Atlântica, como resposta às ameaças ao bioma e aos direitos territoriais dessas comunidades.

A coalizão reúne povos indígenas, caiçaras, quilombolas, caboclos, marisqueiras, povos de terreiro e pescadores artesanais de várias regiões do país. O objetivo é defender a Mata Atlântica e ampliar a garantia de políticas públicas voltadas aos territórios tradicionais.

Segundo o manifesto, os integrantes atuam como guardiões de saberes ancestrais que orientam o cuidado com florestas, rios, lagoas e mares. A iniciativa enfatiza a importância de assegurar direitos territoriais para as comunidades.

A deputada federal Sonia Guajajara (PSOL-SP) participou do lançamento e destacou a função do movimento como espaço de diálogo, denúncias e construção de políticas. Ela ressaltou a necessidade de ampliar a compreensão das estruturas legais sobre o tema.

Guajajara mencionou ainda a exploração de terras raras e minerais críticos como nova ameaça. Ela disse que a articulação surge em um momento em que mais da metade da Mata Atlântica já foi perdida e que é necessário fortalecer a defesa do bioma.

Contexto e objetivos

A aliança é apresentada como rede de proteção do bioma, considerado o berço da história e da biodiversidade do país. Entre as entradas de risco para a Mata Atlântica estão empreendimentos, turismo intenso, uso de agrotóxicos, petróleo e combustíveis fósseis.

Dados indicam que restam cerca de 12,4% da vegetação original da Mata Atlântica, que ocupava 15% do território brasileiro há anos. O bioma abriga mais de 20 mil espécies de plantas e mais de 2 mil vertebrados, além de suprir água para cerca de 145 milhões de brasileiros.

A liderança da aliança, representada por José Wellington Fontes Nascimento, o Wellington Quilombola, afirma que o movimento visa ampliar a visibilidade do manejo sustentável realizado pelas comunidades. O objetivo é influenciar políticas públicas em três esferas de governo.

A cooperação entre comunidades tradicionais e autoridades busca abrir canais de diálogo e de consulta, com foco na preservação da Mata Atlântica e na proteção de modos de vida tradicionais. A mobilização ocorre em meio a pressões de setores econômicos sobre o bioma.

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