- Prisão da influencer e advogada Deolane Bezerra levanta suspeitas sobre uma rede de empresas, uso de laranjas e movimentação financeira milionária associada a ligações com o PCC.
- A investigação, que resultou na Operação Vérnix, remonta a 2019 e envolve uma transportadora citada pela carta encontrada na prisão de membros da facção; há indícios de lavagem de dinheiro e relação com o alto escalão do PCC.
- Deolane seria peça central de um esquema com abertura de mais de trinta empresas, muitas em nome de terceiros; uma casa popular em Martinópolis abrigava dezenas de firmas registradas.
- Entre os ativos apreendidos, quatro veículos de luxo somam cerca de cinco milhões de reais, incluindo um Cadillac Escalade avaliado em dois milhões.
- O caso acontece em um contexto mais amplo de fortes desconfianças sobre influenciadores digitais e a regulamentação de redes sociais, com investigações sobre lavagem de dinheiro ligadas a figuras do meio.
A operação Vérnix, deflagrada pela polícia, aponta Deolane Bezerra como peça central de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. A influencer e advogada foi presa recentemente e é alvo de investigações que envolvem diversas empresas, uso de laranjas e transações milionárias.
Segundo as apurações, a investigação começou em 2019, após uma carta encontrada no esgoto da penitenciária Maurício Henrique Guimarães Pereira, em Presidente Venceslau. O documento descreve compras de fuzis e cita uma transportadora próxima ao presídio.
A investigação indica que Bezerra abriu mais de 30 empresas para repassar dinheiro entre elas, dificultando o rastreamento da origem dos recursos. Vários estabelecimentos teriam sócios ocultos e sede em casas populares no interior paulista.
Entre os indícios estão veículos de luxo vinculados a Bezerra, com quatro carros apreendidos avaliados em mais de 5 milhões de reais. Um Cadillac Escalade, avaliado em 2 milhões, não circula comercialmente no Brasil, segundo a polícia.
A apuração também aponta ligações pessoais com familiares de líderes da organização criminosa e com operadores financeiros do PCC. Conversas e registros mostram contatos próximos com indivíduos ligados ao grupo.
Em março de 2024, Deolane já havia ficado detida por duas semanas em outro desdobramento da investigação, a operação Integration, que mirava esquemas de lavagem de dinheiro e apostas ilegais. O caso foi transferido à Polícia Federal.
Especialistas ouvidos pela reportagem ressaltam que o cenário atual evidencia uma intrincada teia de empresas de fachada e pagamentos via fintechs. A falta de regras claras para influencers facilita operações financeiras complexas.
A cidade de Martinópolis, onde há registro de múltiplas empresas em nomes de terceiros, é citada pela investigação como exemplo da possível irregularidade. As apurações seguem em andamento para esclarecer origem e aplicação dos recursos.
A reportagem não conclui sobre culpabilidade de Bezerra; apenas informa que o processo envolve múltiplas frentes, incluindo registros de empresas, movimentações financeiras e ligações com o PCC. Novos desdobramentos devem ocorrer.
Entre na conversa da comunidade