- Edgar Morin, pensador francês autodidata e libertário, morreu nesta sexta-feira, 29, aos 104 anos, cercado de respeito.
- Ao longo de mais de oitenta volumes, ele abriu mão de rótulos disciplinares e uniu filosofia, sociologia, política e cultura de massa em uma visão multidisciplinar.
- A vida política dele incluiu filiação ao Partido Comunista em 1941 e expulsão, em 1951, por militância anti-Stálin; depois ficou associado a um “pós-marxismo democrático”.
- Sua obra-prima, La Méthode (O Método), em seis volumes, buscou ligar física, biologia e sociedade, defendendo a ideia de que o humano não pode ser dividido sem comunicação entre partes.
- Morin teve atuação no cinema, co-dirigindo Crônica de um Verão (1960) e defendendo, desde 1956, um cinema que se aproxima do real; foi influente na discussão sobre Maio de 1968.
Edgar Morin, pensador francês autodidata, morreu nesta sexta-feira aos 104 anos. A vida dele foi marcada pela busca da totalidade, que ele levou para uma obra multidisciplinar de grande impacto.
Nascido Edgar Nahoum em 1921, adotou o cognome Morin durante a resistência ao nazismo. Ao longo de décadas, atuou como voz singular que dialogou entre filosofia, sociologia, cinema e cultura de massa.
Morin foi membro do Partido Comunista em 1941, mas foi expulso em 1951 por militância anti-Stálin. Anos depois, aproximou-se de um pós-marxismo democrático, mantendo o espírito libertário que o guiou.
La Méthode e a vocação libertária
A grande obra, La Méthode, tem seis volumes lançados entre 1977 e 2004. Títulos como A Natureza da natureza e A Vida da vida expressam a ideia de unir física, biologia e sociedade.
O projeto defendia que o homem não pode ser dividido em gavetas sem comunicação entre áreas. Morin via a complexidade como caminho para entender o mundo.
O pensamento dele, muitas vezes contrastando com o cartesiano, enfatizava a necessidade de religar partes ao todo, mantendo diálogo entre ciência, cultura e política.
Contribuições no cinema e na cultura
Morin envolveu-se ativamente com o cinema, escrevendo sobre o assunto e codirigindo Crônica de um Verão (1961). O filme, realizado com Jean Rouch, acompanhou entrevistas sobre felicidade em Paris.
Entre as décadas de 1940 e 1960, publicou reflexões teóricas e produziu obras como Le Cinéma en L’Homme Imaginaire, além de artigos e livros que moldaram debates sobre a ciência, a ética e a cidadania.
Morin deixou uma trajetória marcada pela interseção entre filosofia, sociologia e artes, mantida ao longo de mais de 80 volumes. O legado continua sendo referência para leituras contemporâneas.
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