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Para 60% dos brasileiros, violência contra mulher é a principal criminalidade

Datafolha aponta violência contra a mulher como principal problema de segurança pública; ainda subnotificada, especialmente a violência psicológica

Na percepção de 6 em cada 10 brasileiros, a agressão contra a mulher fica à frente do tráfico de drogas (16%) e do assalto à mão armada na rua (10%) como a criminalidade que mais preocupa. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
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  • 60% dos brasileiros consideram violência contra a mulher a principal criminalidade do país, acima de tráfico de drogas (16%) e assalto à mão armada (10%).
  • A percepção foi colhida em levantamento do Datafolha em abril, com 2.004 pessoas, e aponta baixa compreensão da violência psicológica como forma de violência.
  • Entre mulheres, 73% veem a violência contra a mulher como o problema mais grave; entre homens, 49%.
  • 74% das mulheres já sofreram alguma situação de violência, com insultos (59%), ameaças (45%) e perseguição (43%) entre as mais comuns.
  • O governo destaca o Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, com ações para acelerar medidas protetivas, ampliar prisões de agressores e fortalecer redes de atendimento.

A violência contra a mulher já é considerada a forma de criminalidade mais grave no Brasil por 60% da população, aponta pesquisa do Datafolha encomendada pelo Movimento Mulher 360. O levantamento mostra que essa percepção supera o tráfico de drogas e o assalto à mão armada.

A pesquisa, realizada em abril com 2.004 pessoas acima de 16 anos, revela ainda que 74% das mulheres e 49% dos homens veem a violência contra a mulher como o principal problema. Entre jovens de 16 a 24 anos, o índice é de 77% entre mulheres.

Para Margareth Goldenberg, diretora-executiva do Mulher 360, os dados indicam um marco: a violência deixou de ser tema privado e passa a ser foco central de segurança pública e política social. A percepção difere entre gêneros e faixas etárias.

O que a pesquisa mostra sobre a violência

Entre as manifestações de violência, a agressão física é a forma mais reconhecida como violência. No entanto, a violência psicológica ainda é subnotificável, com grande parte da população sem reconhecer controles de liberdade, finanças e relacionamentos como violência.

O estudo mostra que 45% consideram aceitável um homem impedir a mulher de sair de casa para uma comemoração, dependendo da relação. Já 42% entendem que controlar o salário não é violência; 58% o percebem como violência.

Quando a violência é física, o reconhecimento aumenta: 94% veem como violência humilhação pública e 95% veem como violência a coerção de relação sexual pelo marido.

Margareth observa que a percepção de violência já é maior que o reconhecimento de outras formas de crime, como uso de drogas em locais públicos (8%) e invasão de imóveis (2%). O fenômeno é mais intenso entre as mulheres jovens.

Dados sobre as consequências e o cenário nacional

Entre as mulheres consultadas, 74% já passaram por alguma situação de violência, com insultos (59%) e ameaças (45%) entre as mais comuns. Quase um quarto relatou agressão sexual ou tocamentos não consentidos.

A pesquisa aponta que 61% consideram que muitas violência são consequência de escolhas da vítima, indicando um viés de culpa ainda presente. Apenas 19% das mulheres confiam muito na polícia para protegê-las. Entre os homens, são 31%.

O levantamento também mostra que 89% acham que casos de violência de gênero aumentaram no último ano. Entre as mulheres, esse percentual sobe para 94%. Setenta e um por cento afirmam que as mulheres correm mais perigo dentro de casa.

Repercussões e ações do governo

O Ministério da Justiça e Segurança Pública afirma que o sentimento de intranquilidade está alinhado ao diagnóstico oficial. O governo criou o Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio para ampliar ações contra o abuso e ampliar proteção às vítimas.

O governo aponta resultados do pacto, como redução no tempo de análise de medidas protetivas de urgência, queda de burocracias para cumprir decisões judiciais e ampliação da proteção via monitoramento eletrônico. Em mutirão realizado entre fevereiro e março de 2026, mais de 5 mil agressores foram presos.

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