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Quem são os últimos sobreviventes do Holocausto Brasileiro

Últimos 14 pacientes deixam o Hospital Colônia e passam a viver em residências terapêuticas, encerrando um capítulo de isolamento e violência institucional

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  • Os últimos 14 pacientes do Hospital Colônia, em Barbacena (Minas Gerais), deixaram o complexo para viver em residências terapêuticas na cidade. O ato ocorreu na última segunda-feira, 25, com o cadeado na porta do Pavilhão Antônio Carlos.
  • Os moradores são hoje pessoas com idades entre 56 e 91 anos e, em sua maioria, com saúde debilitada; não mantém contato com familiares e vivem em espaços que lembram uma casa, com quartos identificados e áreas de convivência.
  • O fechamento simboliza o fim de um modelo de isolamento e violência, expresso pela expressão “Holocausto Brasileiro” que marcou a história do local.
  • O Hospital Colônia foi cenário de superlotação, uso de eletrochoque, lobotomia e contenções; estima-se cerca de seis dezenas de milhares de mortes, além de registros da venda de mais de 1.800 corpos para faculdades de medicina.
  • A reforma psiquiátrica brasileira, iniciada nos anos dois mil, passou a promover cuidado em liberdade e autonomia, inspirando mudanças na cidade de Barbacena e abrindo caminho para a memória e a reparação.

Os 14 últimos pacientes do antigo Hospital Colônia deixaram o complexo de Barbacena nesta segunda-feira, 25 de junho, para viver em residências terapêuticas na cidade. O encerramento ocorreu após décadas de isolamento, violência institucional e abandono.

Os pacientes tinham entre 56 e 91 anos e, hoje, muitos dependem de cadeiras de rodas ou camas hospitalares. Eles passaram a morar em espaços que lembram uma casa, com quartos nomeados, sala, cozinha e áreas de convivência, fora dos pavilhões psiquiátricos.

O ato simbólico ocorreu com o cadeado na porta do Pavilhão Antônio Carlos, marcando o fim de um modelo de cuidado associado a excessos. O objetivo declarado é evitar que práticas de exclusão se repitam no futuro.

Contexto histórico

Durante muito tempo, Barbacena ficou marcada pela superlotação e violência no hospital. Registros indicam uso de eletrochoque, contenções extremas e até a venda de corpos para faculdades de medicina, principalmente na década de 1960.

A reforma psiquiátrica brasileira, iniciada nos anos 2000, buscou substituição de manicômios por modelos de acolhimento em liberdade. Pesquisadores destacam que o cuidado comunitário pode oferecer melhores resultados de qualidade de vida.

No impacto local, moradores veem a mudança como reescrita da identidade da cidade. A trajetória de Barbacena passa a ser associada à defesa dos direitos das pessoas com transtornos mentais, não ao estigma de “cidade dos loucos”.

As autoridades citadas apontam que o fechamento não apaga a memória, mas reforça o compromisso com uma assistência mais humana. A memória do Colônia persiste como capítulo da história da saúde pública no Brasil.

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