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Mula do tráfico é presa na primeira viagem com cocaína

Mula do tráfico, prisão na primeira viagem com cocaína a quatro mil quilômetros de casa; seis meses sem ver a família e tentativa de reerguimento

Pessoa usando uniforme mostra as mãos algemadas Foto: Getty Images
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  • Hermes da Silva, de 38 anos, nasceu no Acre e foi preso em 2020 pela Polícia Rodoviária Federal com cocaína escondida no veículo que dirigia, na primeira viagem como mula do tráfico.
  • A missão era transportar droga do Acre ao Peru, com pagamento de quinhentos mil reais? (Oops:Original says R$ 15 mil). Corrigir: com recebimento de R$ 15 mil; ele aceitou buscar dinheiro extra após dificuldades financeiras.
  • A abordagem ocorreu a apenas 20 quilômetros do destino, durante fiscalização da PRF, após ele ficar nervoso e não conseguir enxergar; ficou cerca de quatro mil quilômetros de casa.
  • Durante a detenção, Hermes ficou seis meses sem ver a família; após parte da pena, teve direito de cumprir o restante em liberdade e mudou-se para o sul do país para tentar recomeçar.
  • A reportagem também traz dados da Polícia Federal sobre mulas do tráfico nos aeroportos brasileiros, destacando queda de prisões em 2025 após pico em 2024 e a existência de subnotificação de crimes.

Hermes da Silva, de 38 anos, foi detido pela Polícia Rodoviária Federal em 2020, a cerca de 4 mil quilômetros de casa, após uma viagem com cocaína escondida no veículo que dirigia. A operação ocorreu durante uma entrega organizada por terceiros, com Hermes atuando como motorista da carga.

A missão era transportar droga do Acre ao Peru. Pelo serviço, ele receberia cerca de 15 mil reais. Ele afirma que entrou no esquema por necessidade financeira e por falta de alternativa, após um revés econômico.

O motorista alega que foi informado de como agir, o trajeto a seguir e o que dizer aos agentes. Mesmo sem saber onde a droga estava, ele sabia da existência do carregamento e foi surpreendido quando a fiscalização da PRF ficou próxima.

A abordagem ocorreu a poucos quilômetros do destino, quando Hermes ficou nervoso e teve um “branco” que comprometeu a passagem pelo posto. Segundo ele, a liberação só veio após a fiscalização confirmar que não havia irregularidades aparentes.

Durante a detenção, Hermes precisou enfrentar a distância da família. O advogado informado ajudou a comunicar a família, e ele respondeu pela acusação de tráfico internacional de drogas. A separação física durou cerca de seis meses, tempo que deixou marcas profundas na vida pessoal.

Ao conseguir cumprir parte da pena por razões de primariedade e bom comportamento, Hermes passou a cumprir o restante em liberdade, com a condição de não retornar ao Acre. Hoje ele reside no Sul do Brasil, buscando reconstruir a vida longe do ambiente anterior.

Ele ressalta que o passo foi difícil e que o afastamento da família pesou. Mesmo fora da prisão, ele afirma seguir sob vigilância e evitar ações que possam violar a conduta imposta pelo sistema.

Mulas do Tráfico: longo histórico de prisões em aeroportos

Dados da Polícia Federal compilados pela reportagem mostram que, nos últimos quatro anos, mais de 3 mil pessoas foram presas transportando droga no corpo ou em bagagens nos aeroportos do Brasil. Em 2024 houve pico de detenções; em 2025, houve queda, segundo levantamento exclusivo do Terra.

Entre 2022 e 2025, o registro total foi de 3.023 prisões, com 2024 apresentando o maior volume. Em relação ao perfil, não há predomínio claro de gênero; houve variação entre homens e mulheres ao longo dos anos. Em nacionalidade, brasileiro representou 69% dos casos recentes, enquanto estrangeiros somaram 31%.

Especialista em direitos humanos comenta sobre subnotificação, apontando que a cifra real de crimes é muito maior: apenas uma pequena parcela chega ao Poder Judiciário. O panorama sugere que a repressão enfrenta dificuldades adicionais devido à subnotificação.

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