- Marjane Satrapi, diretora, roteirista e autora de Persepolis, morreu aos 56 anos; a família informou que a morte ocorreu “por tristeza”, pouco mais de um ano após o falecimento do marido, Mattias Ripa.
- Persepolis, adaptação animada da sua graphic novel, estreou em Cannes em 2007 e dividiu o Prêmio da Jury; tornou-se marco no cinema mundial e rendeu indicação ao Oscar.
- Além de Persepolis, dirigiu filmes como Chicken with Plums (2011), La bande des Jotas (2012), The Voices (2014) e Radioactive (2019); seu mais recente longa é Dear Paris (2024).
- Satrapi viveu entre Irã, Áustria e França, tornou-se cidadã francesa em 2006 e manteve uma atuação política, incluindo apoio ao movimento de mulheres em 2022 e a publicação de Woman, Life, Freedom.
- Em janeiro de 2025, recusou a Légion d’honneur, citando hipocrisia francesa em relação a políticas de visa para dissidentes iranianos.
Marjane Satrapi, artista franco-iraniana e diretora de cinema, morreu aos 56 anos. A causa foi descrita pela família como tristeza profunda, em confirmação enviada à AFP. O marido, Mattias Ripa, morreu em 8 de abril de 2025. Satrapi havia divulgado em redes sociais mensagens de luto.
Conhecida pela obra Persepolis, ela adaptou ao cinema a sua graphic novel autobiográfica. O filme estreou em Cannes em 2007, empatando o Jovem Prêmio do Júri e concorrendo ao Oscar de melhor animação. A produção teve grande sucesso de público e crítica, abrindo espaço para sua voz singular no cinema mundial.
Satrapi formou parceria com Vincent Paronnaud em Persepolis e também dirigiu Chicken with Plums, lançada como live-action em 2011. Entre seus outros filmes estão La bande des Jotas (2012), The Voices (2014) e Radioactive (2019). Em 2024, estreou Dear Paris no Torino Film Festival.
Trajetos artísticos e ativismo
A artista publicou Persepolis em quatro volumes a partir de 2000, em edição francesa, e a obra circulou mundialmente, traduzida para mais de 25 idiomas. Seu trabalho recebeu prêmios importantes e consolidou-a como figura influente da cultura franco-iraniana.
Satrapi também manteve atuação pública contundente. Após a eleição presidencial iraniana de 2009, participou de audiências na União Europeia para defender relatos de reforma. Em 2022, apoiou o movimento Mulheres, Vida, Liberdade, coordenando uma antologia gráfica em inglês.
Em janeiro de 2025, recusou a Légion d’honneur, citando críticas à política de visto da França para dissidentes iranianos. A artista ressaltou amor ao país e explicou que a decisão não era ataque a França, mas posicionamento político.
Satrapi deixou uma marca marcante na cultura visual mundial, com uma visão que une memória histórica, estilo gráfico marcante e compromisso social. Sua carreira abrangeu literatura, cinema e ativismo, consolidando-a como referência global.
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