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Atestados médicos falsos são vendidos por R$ 40 via WhatsApp e Telegram

Venda de atestados médicos falsos e receitas de uso controlado ocorre em grupos do WhatsApp e Telegram, com riscos legais e de saúde para usuários

Montagem mostra capturas de tela de grupos de venda de receitas, atestados falsos e medicamentos em aplicativos de mensagens
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  • Atestados médicos falsos, laudos e receitas de uso controlado são vendidos por valores a partir de R$ 40 em grupos no WhatsApp e Telegram, com anúncios abertos no X.
  • Ao menos trinta e um perfis no X divulgam o serviço, oferecendo documentos com CID, carimbo e CRM ativo e até remédios que exigem prescrição.
  • Plataformas afirmam atuar para derrubar as comunidades: Telegram diz proibir conteúdo e usar moderação com IA; WhatsApp diz restringir usos ilícitos e desativar contas violando regras.
  • Profissionais ouvidos alertam que compradores e vendedores podem responder criminalmente; emissão de atestados sem consulta configura infração ética e pode envolver falsidade documental ou ideológica.
  • Itens listados incluem anabolizantes, Mounjaro, Ritalina, Venvanse e Rivotril; especialistas destacam riscos de automedicação, dependência e complicações graves.

A denúncia de venda de documentos médicos falsos ganhou abrangência nas redes sociais, com anúncios abertos que promovem atestados médicos e receitas de uso controlado por valores a partir de 40 reais. As mensagens direcionam clientes a grupos no WhatsApp e no Telegram, além de perfis no X, conforme apuração de pesquisadores independentes.

Ao menos 31 perfis no X estariam atuando nesse esquema, oferecendo laudos, receitas com CID, carimbo e CRM ativos, além de itens como anabolizantes, remédios de emagrecimento e fármacos com prescrição. A investigação aponta organização com tabelas de preços e logística de entrega.

As plataformas se posicionaram: o Telegram afirma que a venda de substâncias controladas e certificados médicos é proibida e removida mediante detecção; o WhatsApp diz banir contas que violem termos de uso e incentiva denúncias diretas nas conversas. As respostas foram rápidas em termos de políticas.

Especialistas ouvidos destacam que tanto quem vende quanto quem compra pode responder criminalmente. Ainda, há alerta sobre riscos de automedicação, alergias, intoxicações e prejuízos a diagnósticos por falta de avaliação médica adequada.

Profissionais de saúde enfatizam que documentos sem consulta médica violam códigos éticos. O Conselho Federal de Medicina repassa que atestados só devem ocorrer após atendimento clínico, sob responsabilidade do profissional.

Em relatos coletados, vendedores se apresentam como “farmácia sem receita” e justificam o serviço como apoio a quem não pode arcar com consultas. Conversas no Telegram mostram pedidos de dados pessoais, tempo de afastamento desejado e tipo de medicamento.

A apuração descreve ainda uso de planilhas de Excel para organizar preços, com itens como medicamentos controlados, substâncias psicotrópicas e remédios de alto risco. Print de transações e depoimentos são usados para conferir credibilidade aos anúncios.

Médicos-responsáveis ouvidos pela reportagem destacam que a automedicação pode esconder doenças, atrasar diagnósticos e causar complicações graves. Juristas explicam que participação de médicos pode configurar falsidade ideológica ou falsificação documental, além de associação criminosa.

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