- Na semana passada, o autor foi entrevistado por três pessoas — dois documentos e um podcast com Sidney Ângulo — e viveu a experiência de estar do outro lado do lettering, ou seja, do entrevistado.
- Ele afirma que, ao atuar como entrevistador, a mente se divide entre ouvir o entrevistado, pensar na próxima pergunta e ajustá-la, sem usar roteiro.
- O texto relembra uma entrevista com o economista John Kenneth Galbraith, em Cambridge, aos vinte e cinco anos, que gerou capa da revista Exame.
- O autor cita David Frost e James Lipton como referências: estilos que combinam preparo, clima de confiança e respeito, favorecendo revelações dos convidados.
- Também critica entrevistadores agressivos e relata ter sido elogiado por um telespectador pela voz calma, embora discorde da ideia de que isso seja suficiente para extrair tudo.
Foi entrevistado por três pessoas na semana passada, uma quebra de padrão para o autor que costuma ser quem faz as perguntas. O material ficou em dois documentos e um podcast, com a participação do empresário Sidney Ângulo no episódio. A experiência de responder, segundo ele, ajudou a entender melhor o ponto de vista dos entrevistados.
O jornalista descreve a sensação de estar do outro lado do balcão como um exercício de empatia e de percepção de nuances. Ele diz que, quando é o entrevistador, a mente trabalha em duas frentes: ouvir com atenção e planejar a próxima pergunta, ajustando-a ao ritmo da conversa. A prática sem roteiro é mantida no programa da BM&C News, com três convidados por edição.
Para esse repórter, a construção da entrevista é tão relevante quanto o conteúdo. A prática exige saber quando aprofundar, sem perder o foco no entrevistado. A experiência acumulada em economia e negócios sustenta a dinâmica, mesmo sem roteiro prévio.
Referências de estilo
O texto destaca dois jornalistas que influenciam o estilo de perguntas: David Frost e James Lipton. Frost é lembrado pela capacidade de manter o equilíbrio entre preparo, elegância e firmeza, abrindo espaço para que o interlocutor revele detalhes relevantes. Lipton, por sua vez, era conhecido por perguntas longas e contexto biográfico, criando atmosfera de introspecção.
O autor compara o tom sereno de Frost à estrutura de Lipton, que privilegiava uma atmosfera de acolhimento. Segundo ele, o objetivo era facilitar a revelação de memórias, processos criativos e fragilidades, sem agressividade na abordagem. O estilo procurado busca confiança e profundidade na conversa.
O texto reforça uma crítica aos entrevistadores agressivos, considerados menos eficazes. Em diálogo recente com amigos, o entrevistador comenta que sua voz calma pode favorecer a transparência, embora reconheça que essa impressão nem sempre corresponde à prática. A ideia central é explorar perguntas bem fundamentadas dentro de uma abordagem respeitosa.
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