- No último dia da Feira do Livro, no domingo, 7, houve debate sobre masculinidade com Carol Pires, Vera Iaconelli, Renan Quinalha e Thomás Aquino no palco principal.
- O encontro, intitulado “Nem Todo Homem”, abordou as dificuldades de falar sobre gênero e as consequências de não fazê-lo, segundo as mediadoras.
- Thomás Aquino afirmou que amizades entre homens costumam girar mais em torno de bebidas do que de conversas sobre sentimentos, enquanto Quinalha destacou a masculinidade como construção que envolve endurecimento.
- Vera Iaconelli ressaltou a importância de aliados masculinos para avançar nas discussões sobre gênero, em meio a críticas de que homens “saem” do debate usando lacunas para evitar o tema.
- Pela tarde, Ana Claudia Quintana Arantes palestrou sobre morte, defendendo que não falar sobre o tema não evita o sofrimento e destacando a importância dos cuidados paliativos desde o início do tratamento.
Na edição de fim de semana da Feira do Livro, ocorreu neste domingo o debate Nem Todo Homem, com foco em masculinidade. Participaram a jornalista Carol Pires, a psicanalista Vera Iaconelli, o advogado Renan Quinalha e o ator Thomás Aquino. O encontro reuniu público no estádio do Pacaembu, durante a programação do evento.
O debate abordou as dificuldades de discutir gênero entre homens, o papel de aliados e as consequências de não enfrentar o tema. Pires destacou o medo de errar como entrave, enquanto Iaconelli ressaltou a presença de homens engajados no diálogo e a necessidade de ampliar esse envolvimento.
Desdobramentos do tema
Quinalha, que é gay, explicou como a construção da masculinidade envolve endurecimento e rejeição de traços considerados femininos, acrescentando que sua experiência pessoal também influencia a compreensão do tema. Aquino comentou a relação entre amizades masculinas e o estágio emocional.
Iaconelli enfatizou que, sem aliados masculinos, avanços sobre questões de gênero ficam prejudicados, e citou a violência estrutural presente em muitos sistemas. O debate ocorreu em meio ao som de uma cerimônia de formatura da Polícia Militar, que foi usada como metáfora para levar as discussões para ambientes de homens.
Palestra sobre morte
À tarde, Ana Claudia Quintana Arantes abriu o espaço externo para falar sobre morte, um tema historicamente evitado. Ela ressaltou que não adiar a discussão evita sofrimento desnecessário e citou casos clínicos de familiares em coma para ilustrar a importância do diálogo sobre desejos de tratamento.
Arantes mencionou que o cuidado paliativo pode aliviar o sofrimento desde o início do tratamento, defendendo uma abordagem mais humana no final da vida. A palestrante destacou que dialogar sobre morte não reduz a qualidade de vida, mas oferece escolhas mais conscientes.
Encerramento do dia
Ao longo do dia, outros convidados enriqueceram as conversas, incluindo Reinaldo Moraes e Ian Uviedo, que trouxeram perspectivas geracionais e experiências de vida distintas. O público acompanhou debates sobre educação emocional, violência simbólica e impactos sociais de políticas de gênero.
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