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Menos espetáculo, mais sabor: ascensão do quiet luxury na gastronomia

Chefs adotam o “quiet luxury” na gastronomia, priorizando produtores locais e sazonalidade para realçar o sabor com menos técnica visível

Peixe e semente de abóbora, do retaurante Manu (Foto: Sérgio Coimbra)
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  • O movimento “quiet luxury” na alta gastronomia brasileira valoriza simplicidade refinada, ingredientes locais, sazonalidade e técnica discreta, priorizando o sabor sem ostentação.
  • Manter o ingrediente em destaque é o foco de chefs como Manu Buffara, que usa menus degustação sem explicações e busca expressar a honestidade dos produtos.
  • A trajetória envolve influências históricas como a nouvelle cuisine e, em 2001, Alain Passard substituiu carnes vermelhas por opções mais sazonais em L’Arpège, valorizando produtores e ingredientes.
  • Exemplos atuais incluem Pablo Inca, do Cora em São Paulo, com foco em origem e sazonalidade, e James McLennan, do Nimbus no Rio, que explora técnicas de cura, maturação e uso total de vegetais.
  • A proposta é distribuir o sabor com menos intervenções: planejar com produtores, escolher técnicas que ampliem sabores naturais e revelar a dignidade de cada ingrediente no prato.

A ascensão do quiet luxury na gastronomia ganha corpo com chefs que valorizam produtores locais, sazonalidade e técnica apurada. O movimento prioriza simplicidade refinada, sem ostentação de ingredientes caros ou apresentações exageradas.

O conceito se firma na ideia de deixar o ingrediente falar por si, com preparo preciso e uso discreto de técnicas. A prioridade é o sabor e a fidelidade aos elementos naturais, sem mascarar falhas ou exageros.

No cardápio degustação do restaurante Manu, em Curitiba, o foco está em itens como Alcachofra, Cenoura, Peixe e Cordeiro. As porções são reduzidas e não há explicações no menu, reforçando a ideia de que a qualidade está nos ingredientes.

Origens e marco histórico

A trajetória começa com a nouvelle cuisine, na década de 1970, ao valorizar ingredientes sazonais de produtores locais. Em 2001, Alain Passard removeu carnes do L Arpège, sinalizando nova relação entre técnica e origem.

Entre os legados do período, destaca-se a busca por sabor puro, com menos artifício. A gastronomia molecular dos anos 2000 ampliou técnicas, mas alguns chefs passaram a valorizar a essência dos ingredientes.

Pablo Inca, do Cora, destaca que o equilíbrio entre técnica e simplicidade exige testar e refinar, como ocorreu com uma tortilla de Lula que levou tempo de desenvolvimento. O objetivo é entregar o melhor momento de cada ingrediente.

No Rio, o Nimbus, liderado pelo chef James McLennan e Ruth Assis, investiga vegetais de temporada e pescados com técnicas de cura e maturação. O cardápio enfatiza a expressão natural dos elementos.

Casos práticos no Brasil

No cardápio do Nimbus, a cenoura aparece em versões distintas: terrina, gel e conserva, com iogurte de ovelha e ingredientes como samburá e pó de semente de abóbora fermentada. O prato busca complexidade por meio de acidez e umami.

Entre as seleções do Cora, destaca-se a tortilla de lula com coalhada e pasta de pimenta. O foco é chegar a uma experiência gustativa que valorize cada ingrediente no seu melhor momento.

A filosofia do quiet luxury, segundo a chef Manu Buffara, evita exibir técnica para privilegiar a percepção de algo extraordinário em itens simples. O resultado é uma gastronomia que dá dignidade a todos os ingredientes.

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