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Depressão e relacionamentos: impactos nos vínculos afetivos

A depressão transforma o relacionamento em relação a três, aumenta a sobrecarga familiar e a necessidade de limites para a saúde de todos

Na depressão, é importante integrar o conhecimento individual dos familiares
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  • A relação de Stefan e Jessica mudou após a pandemia, quando ela desenvolveu depressão e ficou três anos sem trabalhar, passando por tratamentos e clínicas.
  • A doença levou ao isolamento de Jessica, fobia social e sobrecarga emocional de Stefan, que passou a realizar mais tarefas domésticas e cuidar dela.
  • Birgit Esch, terapeuta familiar, destaca a importância de envolver familiares, ensinar limites e cuidar da própria saúde para melhorar o manejo da depressão.
  • Aprender a separar a depressão da pessoa e manter a comunicação é essencial, evitando que o casal vire uma “relação a três” e reduzindo cobranças.
  • Progredindo aos poucos, Jessica voltou a trabalhar meio período e Stefan tem visto ganhos, como maior autonomia de Jessica e melhorias na própria saúde mental dele.

Uma relação marcada pela depressão: o impacto nos relacionamentos. O caso envolve Stefan e Jessica, um casal que vive na Alemanha. O gatilho foi a pandemia de Covid, há cerca de seis anos, quando o colapso de Jessica alterou a dinâmica do relacionamento. Ela não pôde trabalhar por três anos e passou por terapias e tratamentos.

A depressão de Jessica trouxe sobrecarga, isolamento e mudanças no convívio. Stefan descreve uma convivência que deixou de ser leve e despreocupada, com tarefas que antes faziam em parceria passando a ficar sob sua responsabilidade. O esforço para lidar com a doença mudou o cotidiano do casal.

Sobrecarregado, Stefan viu o distanciamento de Jessica aumentar. Ela passou a temer pessoas, desenvolveu fobia social e se afastou de amigos. Até mesmo atividades simples, como fazer compras ou telefonar para serviços, tornaram-se difíceis. O peso recaiu sobre ele.

Separar a pessoa e a doença ajuda os casais

Birgit Esch, terapeuta familiar na Alemanha, ressalta a importância de envolver os familiares e de separar a depressão da pessoa. Em seus cursos, ela orienta que a compreensão coletiva facilita a convivência e evita a sobrecarga emocional. Parte essencial é manter limites saudáveis.

A terapeuta também aponta que muitos familiares passam por etapas difíceis antes de o paciente buscar ajuda. O desafio é manter autonomia da pessoa com depressão e evitar que o apoio se torne纪录 de dependência, reforçando a participação de cada um no cuidado.

Valorizar os pequenos passos

Com apoio, Jessica retomou atividades e passou a trabalhar quatro horas diárias, quatro dias por semana. Mesmo antes disso, pequenas vitórias, como ir ao supermercado após o expediente, foram valorizadas pela dupla. A mudança reduz a sensação de derrota para o casal.

Especialistas destacam que reconhecer progressos, por menores que pareçam, é essencial para quem vive a doença. O esforço de Stefan para preservar a saúde dele próprio também ganhou importância, para manter o relacionamento estável.

Apoio para familiares: terapia e grupos de conversa

Stefan encontrou apoio em terapia e no acompanhamento de Birgit Esch. Além de cursos, a profissional oferece aconselhamento e grupos de conversa para familiares. O objetivo é reduzir o impacto do estresse, melhorar a comunicação e evitar o desgaste extremo.

O casal segue com ajustes no dia a dia, incluindo comunicação mais estruturada por mensagens para evitar atritos. A terapeuta reforça que o objetivo é manter a saúde de ambos e a autonomia da pessoa com depressão.

Os nomes foram trocados para preservar a identidade dos entrevistados.

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