- O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou que a empresa responsável pela Betano devolva R$ 61 mil a um apostador diagnosticado com ludopatia.
- A decisão, da 12ª Câmara de Direito Privado, manteve a condenação de primeira instância e rejeitou o recurso da Betano.
- É um dos primeiros precedentes em segunda instância a aplicar simultaneamente o Código de Defesa do Consumidor e a legislação específica de apostas para responsabilizar operadora por falhas no jogo responsável.
- O autor alegou perdas de R$ 122,5 mil; a conta chegou a ser bloqueada durante o período de apostas intensas e, depois, foi reativada pela empresa.
- O acórdão reforça que empresas de apostas têm obrigação de prevenção, monitoramento e apoio a usuários com indícios de dependência, especialmente em um mercado de alto risco financeiro.
O Tribunal de Justiça de São Paulo condenou a Betano a devolver R$ 61 mil a um apostador diagnosticado com ludopatia. O julgamento, realizado pela 12ª Câmara de Direito Privado, manteve a decisão de primeira instância e rejeitou o recurso da empresa. A pauta envolve a aplicação simultânea do Código de Defesa do Consumidor e da legislação específica sobre apostas esportivas para responsabilizar a operadora por falhas no chamado jogo responsável.
Segundo a ação, o morador de São Paulo acumula perdas de R$ 122,5 mil na plataforma. A defesa alegou que, mesmo diante de sinais de comportamento compulsivo, a Betano continuou promovendo o uso do serviço por meio de promoções e publicidade direcionada. O colegiado entendeu que as obrigações das casas de aposta vão além da disponibilização da plataforma.
Os desembargadores destacaram a obrigação de prevenção, monitoramento e apoio a usuários com indícios de dependência, especialmente em um setor de riscos financeiros elevados. A decisão reforça que a proteção ao consumidor se intensifica quando há vulnerabilidade identificada no cliente.
Contexto do caso
Os autos indicam que a conta do apostador chegou a ser suspensa durante o período de apostas intensas. Posteriormente, ele solicitou a reativação, que foi atendida pela operadora, mantendo o cadastro ativo.
Na sentença de 1ª instância, a Justiça interpretou que a plataforma se beneficiou da vulnerabilidade do usuário, porém entendeu que o apostador também teve participação ao continuar movimentando recursos. Assim, a restituição integral dos valores foi considerada inadequada.
Desdobramentos
O acórdão divulgado na última segunda-feira (8) confirmou a condenação e a rejeição ao recurso da Betano. Ainda não foi publicado o texto completo, mas a ata de julgamento confirma o entendimento de que o dever de proteção ao consumidor se aplica de forma mais rigorosa quando há sinais de ludopatia.
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