- Luan Medeiros, artista e ex-jogador, organizou a repintura da Praça São Lucas, na favela Vila Cruzeiro, para celebrar a Copa do Mundo companhia de mensagens de apoio ao Brasil.
- A calçada ganhou as cores da bandeira e mensagens, com crianças pintando guias e adultos se dedicando a detalhes, incluindo um retrato de Neymar.
- Moradora Aline de Souza Martins e a filha Ágatha participaram da ação; desde o massacre, o local ficou ligado ao trauma da operação policial.
- As autoridades ainda investigam as mortes e a atuação policial; 17 oficiais já foram acusados de crimes como roubo de arma e de peças de veículo.
- Especialistas veem a ação como parte de uma tradição de decorar ruas para a Copa, com o ressurgimento impulsionado pelas redes sociais.
O grafite das ruas de Saint Luke, na favela de Vila Cruzeiro, ganhou as cores da bandeira brasileira para celebrar a Copa do Mundo. A pintura foi organizada no último fim de semana por Luan Medeiros, ex-jogador de 33 anos, que viu na mostra de arte uma forma de levar alegria ao espaço após meses de violência.
A intervenção aconteceu em meio à memória de outubro, quando Rio de Janeiro viveu o dia mais violento de sua história policial, com 122 mortes. O ato contou com participação de moradores e crianças, que assumiram a tarefa de repintar guias e calçamento do quarteirão.
Aline de Souza Martins, 39, moradora próxima, esteve entre os voluntários, acompanhada da filha Ágatha, de 15 anos. Segundo Martins, a região, antes marcada pela violência, começa a receber um novo significado com as cores verde e amarelo do Brasil.
Repercussões e contexto
O local abriga parte do comércio da favela e serviços de transporte público, e recentemente as imagens da intervenção passaram a simbolizar uma releitura comunitária do espaço. Aline relatou que, desde o massacre, evitava passar pela praça com frequência, mas afirma que o visual atual traz tranquilidade momentânea.
Ainda de acordo com a reportagem, a polícia continua investigando as circunstâncias da operação de outubro. Ao menos 17 oficiais foram indiciados por possíveis delitos, incluindo roubo de arma e de peças de veículo, segundo apuração em curso.
O artista responsável pela obra, Hugo Silvério, destacou que a divulgação nas redes sociais potencializa esse movimento artístico. Ele afirmou que a prática ganhou adesão de comunidades e passou a ser vista como um símbolo de identidade local e de pertencimento nacional.
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