- Comunidade quilombola Nova Esperança, em Baraúna, Rio Grande do Norte, enfrenta secas e temporais que afetam goiaba, outras frutas e hortaliças, levando moradores, incluindo Sueli Bessa, a buscar empregos na área urbana a mais de vinte quilômetros de distância.
- O encontro nacional das mulheres quilombolas, no Gama, Distrito Federal, discute justiça climática; o presidente Lula visitou o evento e ouviu as preocupações das participantes.
- A Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) lançou o livro Vozes quilombolas: mulheres em defesa do clima, com 120 páginas, destacando impactos de grandes empreendimentos e estratégias de vigilância ambiental lideradas pelas mulheres.
- Territórios ameaçados incluem Mesquita, em Cidade Ocidental, Goiás, cuja titulação ainda não ocorreu; a líder Sandra Braga aponta risco de appropriação por fazendeiros de soja sem a devida regularização.
- Beiju, produzido na comunidade Divino Espírito Santo (Divino Beiju), em São Mateus, Espírito Santo, também sofre com mudanças climáticas que afetam a mandioca e a produção de beiju; a regularização fundiária é defendida como prioridade para proteção da identidade e da produção local.
Na comunidade quilombola de Nova Esperança, em Baraúna (RN), produtores relatam impactos da seca e de variações climáticas na produção de goiaba, além de outras frutas e hortaliças. O grupo soma 70 famílias que dependem da agricultura familiar.
Sueli Bessa, 39 anos, lidera a comunidade e participa, até este domingo, do encontro nacional das mulheres quilombolas no Gama (DF). O evento tem como tema a justiça climática, alinhado a uma visita do presidente Lula na quinta-feira.
Na região potiguar, além da goiaba, há perdas em mandioca, tomate e outras culturas. Com a seca, muitos moradores procuraram empregos na indústria urbana a mais de 20 km de distância, devido às dificuldades de transporte e infraestrutura.
A comunidade não tem CEP nem asfaltamento. Ruas ficam intransitáveis durante chuvas fortes e o abastecimento de água é irregular, dependendo de um poço artesiano que se torna insuficiente na seca.
Sueli comercializa geleias e compotas em feiras locais. Ela sonha terminar o ensino médio para ingressar em cursos superiores, com foco em enfermagem ou direito, para apoiar a comunidade. A filha Suelene Ribeiro, 21 anos, compartilha o objetivo.
Beijo: maior participação feminina
Durante o encontro, a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) lançou o livro Vozes quilombolas: mulheres em defesa do clima, com 120 páginas. Fran Paula, agrônoma e pesquisadora, assina o estudo.
Paula aponta que mulheres sofrem mais violência ambiental e são as primeiras a manter território sob pressão de grandes empreendimentos. O livro reúne denúncias e também estratégias de vigilância e conservação lideradas por mulheres.
Ela defende que a regularização fundiária é crucial para a justiça climática. Sem titularidade, diz, as comunidades ficam vulneráveis à expansão de fazendas, petróleo e mineração.
Marmelo ameaçado
Entre os territórios em foco está Mesquita, em Cidade Ocidental (GO). Sandra Braga, coordenadora da Conaq, afirma que a demarcação pode ocorrer ainda neste ano, beneficiando cerca de 3 mil pessoas em 785 famílias da zona rural.
A falta de titulação aumenta o risco de ocupação por fazendeiros de soja. Um símbolo da resistência é a plantação de marmelo, que gera marmelada e geleia, mantendo a tradição da comunidade.
Beiju
Em Divino Espírito Santo (Divino Beiju), em São Mateus (ES), o cultivo de mandioca para o beiju artesanal diminuiu diante das mudanças climáticas. Denise Penha, 42 anos, aponta que o beiju tradicional depende de mandioca cultivada sem contaminação.
A comunidade possui mais de 300 famílias e busca preservar o plantio de mandioca diante dos agroquímicos próximos, para manter o sabor e a qualidade do produto.
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