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Nunca é tarde para começar terapia: benefícios e caminhos para iniciar

Nova revisão confirma que a psicoterapia funciona em pessoas com mais de setenta e cinco anos, mas acesso e custo continuam barreiras

Revisão recente mostra que psicoterapia funciona da mesma forma em pessoas acima de 75 anos
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  • Revisão recente aponta que a psicoterapia funciona em pessoas com mais de 75 anos, não havendo queda de eficácia com a idade.
  • Casos de Maurizio, Antonio e Gigliola mostram que a terapia pode ajudar a lidar com enxaqueca, conflitos familiares e questões relacionadas ao envelhecimento, promovendo autoconhecimento e bem‑estar.
  • Dados da OMS indicam que cerca de 14% das pessoas com mais de 70 anos têm transtornos mentais, e 17% dos suicídios ocorrem nessa faixa etária.
  • Estudo de 2024 nos EUA mostrou que apenas cerca de 4% dos adultos com 65 anos ou mais receberam atendimento psicoterapêutico, frente a 12% de 18 a 24 anos e 8% de 35 a 64 anos; todavia, não há evidência de menor eficácia com a idade.
  • Barreiras de acesso incluem custo e encaminhamentos médicos; há preconceito de idade entre profissionais e pacientes, mas há opções com terapias individualizadas e em grupo, além de serviços públicos como CAPS, UBS e UPAs.

Diante de dados recentes, a terapia não é exclusiva de jovens. Uma revisão indica que psicoterapia funciona de forma semelhante em pessoas com mais de 75 anos, ampliando o debate sobre saúde mental na terceira idade. A eficácia é registrada em vários tipos de transtornos, inclusive depressão.

Maurizio, 70 anos, iniciou terapia para investigar enxaquecas que o acompanham desde a infância. Ao longo do tempo, o tratamento se tornou também um espaço de autoconhecimento e de compreensão da vida, além de buscar uma origem clínica para o problema.

Antonio, 73, e Gigliola, 68, buscaram terapia para salvar o relacionamento após anos de tensões não expressas. Ambos relatam sensação de leveza e abertura após começarem o tratamento, destacando o ganho de diálogo interno.

Panorama da saúde mental na terceira idade

Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 14% das pessoas acima de 70 anos convivem com transtornos mentais, com destaque para ansiedade e depressão. Também é referência que 17% dos suicídios ocorrem nessa faixa etária.

Um estudo de 2024 mostra que apenas 4% dos adultos com 65 anos ou mais nos EUA receberam atendimento psicoterapêutico, frente a 12% de jovens e 8% de adultos entre 35 e 64 anos. A evidência não aponta redução de eficácia com a idade.

Pim Cuijpers, pesquisador holandês, afirma que as psicoterapias funcionam em toda a vida adulta. Em revisão recente, ele aponta que indivíduos com mais de 75 anos não apresentam indicação de menor eficácia terapêutica.

Benefícios e formatos

A terapia pode auxiliar no enfrentamento de questões típicas do envelhecimento, como isolamento social e doenças crônicas, promovendo bem-estar, renovação de motivação e maior participação social. Estudos indicam que intervenções em grupo apresentam resultados expressivos.

Apesar da menor procura, idosos costumam concluir o tratamento com taxas de até 54% de adesão, sugerindo alta motivação para o trabalho terapêutico. A escolha de formatos variados, inclusive terapias em grupo, pode ampliar o acesso.

Barreiras ao acesso

Dificuldades financeiras ajudam a explicar parte do menor acesso à terapia entre pessoas mais velhas, com planos de saúde às vezes sem cobertura e custos que recaem sobre o próprio paciente. Além disso, encaminhamentos médicos nem sempre ocorrem de forma adequada.

Preconceitos ligados à idade também influenciam a busca por tratamento. Estudos sugerem que o retrato de um idoso como presença de apenas desgaste é comum entre profissionais, dificultando o encaminhamento para psicoterapia.

Caminhos e opções

Diversas abordagens são viáveis: terapia cognitivo-comportamental, terapias psicodinâmicas, terapia familiar e terapia em grupo. Em muitos locais, como CAPS, UBS e UPAs, há opções de atendimento público que podem facilitar o acesso.

O envelhecimento é apresentado como etapa de mudanças contínuas. A terapia surge como ferramenta para redescoberta de si, fortalecimento de vínculos e reinvenção pessoal, independentemente da idade.

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