- Art Basel anunciou medidas para fortalecer sua presença global, incluindo congelamento de preços de estandes na edição suíça de 2026 e um modelo de precificação escalonado no setor principal.
- A instituição lançou o Basel Exclusive, programa opcional em que galerias escolhem manter algumas obras fora das prévias digitais, destacando a importância de ver as obras pessoalmente.
- O programa teve adesão expressiva: 193 de 240 galerias elegíveis participaram, com a maioria buscando valor exclusivo para os visitantes da feira.
- O objetivo é fortalecer o mix de galerias de meio de mercado, preservando o papel de eventos de alto nível e incentivando a participação de galerias menores com opções de escala de preço e programas de apoio.
- A conversa sobre o papel de Basel, Paris e outras plataformas indica que a feira busca equilibrar demanda de obras consagradas com o impulso de novos produtores, mantendo a visão global da marca Art Basel.
Art Basel inicia sua edição 2026 em Basel, Suíça, em um mercado que viveu um primeiro semestre volátil. A feira apresentou o sucesso da primeira edição de Art Basel Qatar em fevereiro e o fôlego das vendas de obras-troféu em novembro e maio. O cenário aponta para uma divisão: alto nível segue aquecido, Old Masters e Impressionismo mantêm demanda, mas o meio e o mercado emergente da arte contemporânea enfrentam dificuldades.
A organização implementou medidas para fortalecer o meio do mercado e a experiência presencial. Entre as novidades estão o congelamento de preços de estandes, a ampliação do programa de apoio a galerias de primeira e segunda participação e um modelo de preços por setores, com escala móvel para as galerias maiores.
Basel Exclusive é o destaque: um programa opcional em que galerias reservam obras para não serem vistas em pré-visualizações digitais, valorizando a experiência física. A iniciativa visa privilegiar a visita aos trabalhos na feira, especialmente no mercado primário. Mais de 80% das galerias elegíveis aderiram.
Basel Exclusive em foco e impactos
De Bellis explicou que a ideia não resolve um problema específico, mas reforça a importância de ver obras no espaço da feira. O opt-in teve adesão relevante entre as galerias, com 193 de 240 participantes no setor principal. Galerias que não participaram o fizeram por diversas razões, sem forçar adesão.
A estratégia é vista como forma de aprimorar a experiência presencial sem prejudicar quem não aderiu. A decisão variações conforme cada feira do grupo Art Basel, com justificativas distintas para Basel, Paris e outros ambientes. A meta é manter o equilíbrio entre grande museologia e o mid-market.
Mercado global e resposta a tendências
O diretor de feiras de Art Basel afirmou que Basel se tornou o evento mais global, com maior presença de artistas e colecionadores da Ásia e do Sul Global. Paralelamente, Paris guarda uma presença mais parisiense, com contextos diferentes e datas distintas. Ambos coexistem como plataformas complementares.
Sobre o impacto das recentes vendas de alto nível, De Bellis ressaltou a polarização entre high-end e cenas mais experimentais, com o espaço intermediário em pressão. Medidas para o mid-market incluem congelamento de preços, ampliação do programa de ascensão de galerias e tarifas ajustadas por setor.
Outras ações e relações com o mercado
A Art Basel sinaliza ações para manter o equilíbrio entre diferentes segmentos: suporte a galerias médias, expansão de setores como Premiere e Echoes, e iniciativas como Zero 10. A direção também aponta que o fair model precisa acompanhar mudanças rápidas do mercado, ainda que a organização planeje com antecedência.
A entrevista tocou ainda no papel das feiras frente a tendências como Old Masters e Impressionismo, mantendo a fidelidade à identidade da marca sem copiar estratégias de outros players. A relação entre Art Basel e grandes eventos, como Venice Biennale, foi apresentada como complementar, com cada formato servindo funções distintas no ecossistema.
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