- Mulheres representam 63% dos 546,2 mil afastamentos por problemas ligados à saúde mental em 2025, segundo dados do Ministério da Previdência Social, e costumam receber menos pelo mesmo trabalho.
- A arquiteta Tatiana Fló Cosenza, aos 43 anos, viveu três episódios de esgotamento ligados ao trabalho; na pandemia, pediu demissão após ser convocada para uma reunião presencial com Covid.
- Além do trabalho, as tarefas domésticas aumentam a sobrecarga emocional das mulheres, que enfrentam interrupções, comentários sobre aparência e pressões de disponibilidade total.
- Em educação e liderança, mulheres são quase 20% mais escolarizadas, mas ganham quase 20% a menos que homens (2022); em 2023, ocupavam 23,3% dos assentos de conselhos e apenas 6% eram CEOs, com oito em cada dez políticas afirmando barreiras de gênero.
- Mudanças na Norma Regulamentadora 1, valendo desde maio, visam reduzir riscos à saúde mental no trabalho, com expectativa de melhoria gradual.
A desigualdade de gênero no trabalho aumenta a sobrecarga emocional das mulheres, que já chegam ao ambiente profissional com tarefas domésticas acumuladas. Casos de esgotamento têm sido relatados por profissionais de diversas áreas, incluindo arquitetura, gestão e ensino.
A arquiteta Tatiana Fló Cosenza, 43, viveu situações de esgotamento ligadas ao trabalho há mais de duas décadas. Em uma ocasião, desmaiou ao dirigir, e o carro quase ficou sob um ônibus. Na pandemia, foi obrigada a participar de uma reunião presencial com Covid, situação que a levou a pedir demissão.
Hoje Tatiana administra um escritório com duas sócias. Ela pratica limites na rotina, terceiriza atividades e tenta evitar o celular nos momentos de pausa. Mesmo assim, diz ouvir 57 pessoas diferentes por dia, entre fornecedores, clientes e familiares, o que reforça a pressão diária.
O quadro atual e os impactos
Dados do Ministério da Previdência Social indicam que, em 2025, as mulheres representaram 63% dos 546,2 mil afastamentos por problemas ligados à saúde mental. A situação é associada à maior carga de afazeres domésticos e à necessidade de disponibilidade total.
Especialistas apontam que a desigualdade envolve remuneração, reconhecimento e condução de carreira. Interrupções, comentários sobre aparência e a chamada microviolência contribuem para a sobrecarga emocional feminina no ambiente de trabalho.
Além disso, a exigência de manter disponibilidade mesmo em cuidados familiares afeta a participação em planos de ascensão profissional. Em muitos casos, o avanço de homens nesse aspecto é visto de forma diferente, o que agrava a assimetria.
Educação, liderança e mudanças regulatórias
Estudos mostram que, mesmo com maior escolaridade, as brasileiras recebem quase 20% menos que os homens. Em 2023, mulheres ocuparam 23,3% dos assentos em conselhos de empresas no mundo, e apenas 6% chegaram a cargos de CEO. Barreiras de gênero são apontadas por grande parte das mulheres em liderança.
Profissionais defendem mudanças no equilíbrio entre vida pessoal e carreira e destacam que muitos salários baixos decorrem de escolhas institucionais e da cultura organizacional. Movimentos de contas de alta gestão revelam necessidade de políticas que reduzam cargas imateriais.
A implementação da NR-1, em maio, traz medidas para reduzir riscos à saúde mental no trabalho. Especialistas afirmam que o processo não é rápido, mas pode representar avanços reais na proteção de segurança psicológica no ambiente corporativo.
Entre na conversa da comunidade