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Faltam semáforos para pedestres em SP; estudo aponta pontos cegos na cidade

Estudo revela que distritos periféricos concentram 82% das viagens a pé, mas têm menos semáforos que o centro expandido

Crédito: Larissa Burchard/Raul Carvalho/Estadão
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  • Estudo do Instituto Corrida Amiga mostra que o centro expandido de São Paulo tem 15 semáforos para pedestres a cada 10 mil viagens a pé, enquanto os demais distritos somam 6.
  • O levantamento aponta que distritos que concentram 82% das viagens a pé usam menos infraestrutura de travessia do que o centro, que concentra 18%.
  • A CET afirma que planeja e instala semáforos de pedestres com base em critérios da Senatran e do Contran, considerando volume de travessias, tempo de espera, histórico de sinistros e características da via.
  • O estudo destaca baixa quantidade de botoeiras sonoras (172) e apenas 25 contadores regressivos, em contraste com 1.103 semáforos para veículos.
  • Recomendações incluem revisar tempos semafóricos, ampliar acessibilidade, realizar auditorias prioritárias em áreas vulneráveis e priorizar travessias seguras em regiões com alta dependência da caminhada.

O estudo divulgado no fim de maio pelo Instituto Corrida Amiga mostra que a infraestrutura de sinais para pedestres em São Paulo é desigual. A pesquisa compara o centro expandido com os distritos, apontando maior risco de travessias inseguras fora do eixo central.

Segundo o levantamento, o centro expandido possui 15 semáforos para pedestres a cada 10 mil viagens a pé, enquanto os distritos somam 6 nesse mesmo universo. O estudo indica que 82% das viagens a pé ocorrem em áreas fora do centro, que concentra 18% das travessias.

A CET informa que o planejamento e a instalação de semáforos para pedestres seguem critérios técnicos de órgãos federais, como Senatran e Contran. Os projetos consideram volume de travessias, tempo de espera, histórico de sinistros e características da via, priorizando locais de maior demanda.

Para especialistas, a desigualdade evidencia impactos da política pública. O professor da Unicamp Luiz Vicente Figueira de Mello afirma que o pedestre fica em último lugar nas decisões, enquanto Sérgio Avelleda, do Insper, destaca maior necessidade de caminhar na periferia para acessar serviços e transporte.

O estudo traz ainda dados sobre infraestrutura de acessibilidade. A cidade registra 172 semáforos com botoeiras sonoras e 25 com contagem regressiva, 17 deles no Itaim Bibi. Em contraste, a rede de semáforos para veículos soma 1.103 unidades. A CET informa que os dispositivos sonoros estão concentrados nas Rotas Acessíveis, próximas a estações de metrô e centros de reabilitação.

Quanto aos contadores regressivos, a CET realiza testes em 30 cruzamentos do minianel viário, totalizando 104 travessias avaliadas.

Entre as recomendações para melhorar o cenário, o estudo aponta revisões dos tempos semafóricos para atender crianças, idosos e pessoas com deficiência, ampliar a acessibilidade das botoeiras sonoras, realizar auditorias territoriais em áreas vulneráveis e priorizar travessias seguras em regiões com alta dependência de caminhada.

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