- O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, usou dois grupos de intimidação para atacar o ex-marido de sua namorada e o chefe de cozinha e capitão de seu iate de luxo.
- O grupo “A turma” foi qualificado como quadrilha pela Polícia Federal e se infiltrou em companhias telefônicas, órgãos da Justiça, Ministério Público, polícia e outras instituições para obter dados e monitoramento.
- Vorcaro ordenou que o grupo seguisse o DJ libanês Ronald Fred Seikaly, ex-jogador da NBA, em Miami e o atraísse ao Rio de Janeiro para ameaçá-lo pela milícia e pela polícia, com pretensão de usar força contra ele.
- Também foi fabricado um ofício do Ministério Público Federal à Interpol, alegando inquérito inexistente, para assustar Seikaly; não ficou comprovado se o documento foi enviado à Interpol.
- Além disso, o grupo intimidou o chefe de cozinha e o comandante do iate “Solar I”, chegando a filmar situações a bordo; eles disseram ter acesso a filmagens e registros que colocariam em risco a família envolvida.
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, liderou dois grupos de intimidação para atingir o ex-marido de sua namorada, um chef de cozinha e o comandante do iate de Vorcaro. A PF descreve o núcleo como uma “quadrilha” chamada A turma. O alvo principal era Ronald Fred Seikaly, DJ libanês e ex-marido de Martha Graeff.
Segundo o relatório apurado pela Polícia Federal, o grupo infiltrou-se em empresas, órgãos da Justiça, Ministério Público, polícia e outras instituições para obter dados cadastrais, alvarás, inquéritos e procedimentos. O objetivo era “dar uma lição” por desavenças envolvendo Seikaly.
Em outubro de 2024, Vorcaro ordenou que integrantes do grupo contratassem pessoas para seguir Seikaly em Miami e atrair o DJ ao Rio de Janeiro para intimidá-lo. O líder também pediu auxílio de um “amigo da Interpol”, segundo a PF, que não foi localizado.
O relação de Vorcaro com a intenção de vingança envolvia ameaças ligadas a familiares. O relatório cita que ele queria que Seikaly aprendesse que não se mexe com seu filho. A PF registra a pretensão de “dar um pulão” quando o DJ entrasse no Brasil.
A PF aponta que o grupo forjou um ofício do Ministério Público Federal à Interpol, citando um inquérito fantasioso sobre pedofilia, sem relação com o libanês. Não houve confirmação de envio do documento à Interpol.
O chef de cozinha e o capitão do iate, o Solar I, também foram alvo. O grupo buscava obter imagens e informações sensíveis sobre a embarcação para pressionar os envolvidos, alegando ter registros comprometidos.
O primeiro ataque ocorreu em Angra dos Reis, na Marina Bracuhy, em junho de 2024, quando sete homens ameaçaram o comandante Luis Felipe Woyceichoski. Em seguida, o mesmo grupo focou Leandro Garcia, ex-chefe de cozinha, em um hotel da cidade.
O comandante relatou à PF que a milícia envolvida posava como homens-armados, com filmagens do barco e registros de bordo. Ele afirmou ter recebido ameaças de morte para ele e sua família.
Uma testemunha descreveu a entrada dos homens na marina em três veículos, com o grupo trajando roupas pareadas. A PF investiga se houve envolvimento de elementos ligados ao jogo do bicho e se houve retorno à residência de familiares.
Análise e próximos passos
A PF continua apurando a extensão das inserções do grupo A turma em outras instituições e o real alcance das intimidations. O STF divulgou o relatório sob decisão do ministro André Mendonça, que acompanha o caso Master. Plenas informações seguem em andamento.
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